Mônica Grivor: Praça Enfeitada - Capítulo 13 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

CAP 13 | Praça Enfeitada
Finalmente, chega o dia do Festival da Abóbora. A praça da cidade de Grafar está magnificamente enfeitada, com diversas barracas repletas de comidas gratuitas. Bandas tocam, em plena luz do dia, em quatro palcos espalhados pela cidade. Diversos funcionários do Comando Central andam, pelo evento, em bicicletas coloridas de laranja, verde e branco, as quais possuem bonequinhos com cabeça de abóbora como enfeite.
- APROVEITEM! APROVEITEM! Hoje é o Festival da Abóbora! APROVEITEM E COMAM MUITAS BALAS DELICIOSAS!
Os “fiscais” distribuem doces para os vampiros menores, que possuem aparência de crianças com 12 anos, apesar de todos já terem séculos de vida, pois nunca envelhecem e nem crescem. Eles correspondem um tipo de vampiros adotados por outros vampiros que gostam de viver em família. Como se trata de um evento para os clãs mais pobres, o “povão” assim por dizer, a grande maioria dos pequeninos possuem cabelo prateado, moreno, bronze ou metal. Entretanto, no meio daquele alvoroço, pode ser visto, também, alguns raros “vampirinhos” de cabelo azul, rosa ou amarelo. No final das contas, os doces distribuídos pelo Comando Central, durante esse festival, são tão deliciosos que algumas famílias enviam os filhos adotivos para pegarem doces para os adultos também.
“A gente come por gula mesmo ...”
Perto de uma barraca, dando 10 moedas de bronze para um vampirinho de cabelo prateado, Drocrinix está pegando pelos docinhos que ela acabou de comprar do pequeno vendedor. Do lado dela, Estecrinix e Galtrinix buscam, em meio à multidão, por algum sinal de Mônica, mas sem sucesso. Elas estranham a amiga não ter chegado ainda. Calma e serena, Drocrinix tranquiliza as amigas.
- Ela deve estar dormindo. Teve um dia, acho que há 10 anos atrás, que ficamos preocupadas à toa com aquela tonta, que tinha simplesmente apagado e só foi aparecer aqui no momento dos aviões-fumaça.
Após escutarem as palavras da bibliotecária, as duas amigas se lembram do ocorrido. Naquela época, com a cara mais sem vergonha do mundo, Mônica disse que precisava ganhar um despertador novo de presente, pois o dela tinha quebrado e ela acabou dormindo mais que a cama. Estecrinix e Galtrinix começam a rir quando recordam que a amiga brincou dizendo que a cama tinha levantado na frente dela e feito o café, enquanto ela ainda estava dormindo no chão. Galtrinix não consegue conter as risadas.
- HAHAHA! AQUELA LESADINHA! Acabou sobrando pra mim, ter de comprar um despertador novo para aquela tontinha, pois, no dia seguinte, ela chegou atrasada no trabalho também. A Mônica, com aquele jeito avoado dela ... Eu tenho certeza de que, se eu não compro o alarme, ela iria chegar atrasada ao longo de toda a semana. A gente se preocupa demais com aquela perdidinha. Daqui a pouco, a Mônica tá aqui, dizendo que vai precisando de outro despertador. Aí será a sua vez Estecrinix! Afinal ... Na festa do ano passado, ela te deu um rádio de prata de presente.
- Nem me fala Gal! Eu fiquei toda boba. A gente só trocando presentes baratinhos, aí aquela maluquinha vem com o rádio, que eu comentei com vocês, que eu estava juntando dinheiro para comprar. Ela é tonta e atrapalhada, mas tem um bom coração. Eu já tô vendo que a próxima a comprar um despertador pra Mônica serei eu!
Então, de repente, elas observam a vampira de cabelo verde e renomada caçadora, Letician, passando em meio à multidão. A mulher, simplesmente, olha todos os detalhes do festival de modo minucioso e cauteloso, enquanto se dirige para as montanhas. Ao presenciar aquele comportamento de Letician, a bibliotecária Estecrinix para de falar na hora. Por sua vez, Drocrinix congela antes de levar mais uma bala à boca.
“Que deu nessas duas ... Viram um fantasma, foi?”
Ao perceber o pavor na reação das amigas, Galtrinix sacode o ombro das duas.
- Ora! O que deu em vocês? Tudo bem que ela é uma caçadora nobre, do tipo que derrota monstros nível S, mas nada demais.
Vendo as amigas mais leves, Galtrinix continua a falar, enquanto abraça uma delas.
- Vocês acham que os sanduiches e ponches em cima das mesas são pedacinhos de monstros, que, de uma hora para a outra, vão ganhar vida e devorar todos aqui? Vocês estão com medo de continuarem vivas como pedacinho de carne na barriga dos bichos.
Ciente de que exagerou na reação, Drocrinix começa a agir normalmente.
- Só levei um susto, por ter alguém tão importante como a Letician, por aqui, no Festival da Abóbora.
Galtrinix olha pra cima e sacode a cabeça em negativa. Depois, irritada, dá um tapa na cabeça das duas amigas, que quase vão parar do outro lado do planeta de tão forte que foi a pancada.
- A gente sempre reclama que não tem nada de diferente nesse festival, aí vocês paralisam quando surge algo fora do comum! Vamos fofocar e teorizar a razão dela tá aqui! Né? Ora!
Ao longe, Letician observa a cena escandalosa protagonizada por Galtrinix. Ao perceber que se trata de vampiras pertencentes a clãs inferiores, a caçadora, simplesmente, olha para o outro lado como se nada tivesse acontecido. Assim, Letician volta a procurar por algum sinal que a leve até o vampiro que possa ser o assassino em potencial do irmão dela.
“Droga ... São todos tão provinciais e medíocres por aqui ... Estou sujando, em vão, meus pulmões com o ar que essa plebe respira.
Bem irritada, ela fecha os olhos e toca em uma árvore. Nesse momento, ela tenta se concentrar para intuir de onde vem o perigo que almeja o irmão. Então, a visão mental dela avança por entre a multidão, sai do centro da cidade e começa a viajar por entre árvores. Letician segue, mentalmente, subindo e descendo algumas colinas. Ela passa por coelhos, coiotes, ursos de três cabeças, formigas gigantes, lesmas soníferas e criaturas de pedra. Então, finalmente, ela sente um coração, que bate lentamente enquanto alguém caminha na mata. Letician não consegue ver o dono do órgão, mas percebe uma energia que pulsa ódio, vingança e paciência.
“Então esse é o inimigo ...”
Ainda com os olhos fechados, a caçadora procura pela presença da energia do irmão. Quando vai checar se ele ainda está dormindo no hotel, Letician descobre que, pela primeira vez em anos, Carmalean acordou cedo e saiu antes dela. A vampira sente um vento gelado percorrendo o pescoço.
“Seu ... Você não fez isso ...”
Caçando mentalmente o irmão, Letician deduz que ele foi para a região da floresta, bem antes dela, na tentativa de evitar que ela corra risco. Ao perceber o possível ato de sacrifício do irmão, Letician corre em direção a floresta. O desespero dela é tão genuíno e forte que a experiente caçadora não se dá conta de que poderia chegar aos limites da cidade muito mais rapidamente se usasse um veículo do hotel.
“SEU IDIOTA! VOCÊ QUER MORRER?!”
Na floresta, Carmalean usa um revólver dourado para matar todas as formigas gigantes que encontra pelo caminho. Além disso, ele observa, de longe, o cerco feito pelos aventureiros e soldados aos cães selvagens. Ali próximo, alguns membros da guilda seguem para abater animais na intenção de extraírem itens como peles, dentes e fígados. Apesar do controle da situação, angustiado, Carmalean olha para o longe, na direção da cidade.
- Minha irmã ... Só hoje me dei conta que isso aqui está perigoso. Além disso, o que falei, na entrada no elevador, pode não ter sido uma ironia. Estou achando que, de fato, foi uma previsão. Não se preocupe, pois, assim como outras vezes, estarei a frente dessa previsão e não morrerei.
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