Mônica Grivor: Dispersar Das Nuvens - Capítulo 18 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
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Atualizado: há 2 dias

CAP 18 | Dispersar Das Nuvens
Após de se afastar dos corpos de Carmalean e Letician, Mônica Grivor, sem nenhum sinal de arrependimento, dirige-se em direção ao cachorro selvagem que derrotou Letician. Por sua vez, o animal abaixa a cabeça e começa a balançar a cauda. Apesar das cicatrizes no rosto e uma expressão infernal, o animal, naquele momento, comporta-se como um filhote que não vê o dono há muito tempo.
- Vamos Furioso! Trabalho feito por aqui! Eu trato do seu ferimento quando chegarmos em casa. Você foi incrível! Desculpe dar o golpe final na Letician, com o veneno, mas foi só pra ela morrer rápido. Agora, vamos nos apressar, pois ainda termos de ir até o topo daquela montanha.
Mônica Grivor aponta para um imenso monte que está mais ao norte. Então, ela sorri.
- Eu te levo no colo, como da primeira vez.
A vampira relembra de quando achou um filhotinho de cachorro selvagem ferido perto da casa dela, possivelmente por causa de uma armadilha feita por algum aventureiro. Na época, há dez anos, na data do Festival da Abóbora. Naquele dia, Mônica Grivor optou por ficar cuidado do pobre filhote.
“Quando eu já estava com tudo pronto para produzir uma pasta que iria passar na sua ferida Furioso, para curar o seu machucado na pata causado por uma armadilha magica, eu descobri que teria de ir até o alto da montanha para buscar algumas ervas. Naquela época, meu estoque tinha acabado e não havia nenhuma loja aberta na cidade por conta do evento. Eu me lembro ... fiquei extremante irritada pelo fato de uma armadilha mágica ter funcionado corretamente. Provavelmente, algum aventureiro aprendeu a usar o encantamento certo após muita tentativa e erro, uma vez que todos os livros de magia para equipamentos mágicos, que os mestres das guildas compram, precisam passar pela biblioteca central e, de lá, eu adultero todos. Infelizmente, algumas vezes, após muita insistência, alguém aprende a usar uma espada mágica, um escudo encantado ou outro artefato corretamente.”
No fundo, a bibliotecária se sentia culpada por não destruir os livros. Entretanto, se ela fizesse isso, iriam fazer um círculo de execução, do tamanho de um país, para acabarem com a existência de Mônica.
“Naquele dia, após subir a montanha, eu avistei vários oficiais do governo fazendo vigia. Achei bem estranho, pois quem seria maluco de deixar o Festival das Abóboras, com comida de graça, para ir naquela parte da floresta tão distante. Eu fiquei curiosa e, como estava invisível, segui sem ser notada. Capas de invisibilidade só poderiam ser usadas perfeitamente por Cabelos de Sol e, como o massacre ao clã já havia ocorrido, o Comando Central acreditava que ninguém estaria invisível naquela parte da floresta. Se não fosse por isso, teria alguém ali com um óculo para visão de calor mágico, eu aposto. Sem dificuldades, subi para coletar as ervas que precisava. Então, passei por toda aquela fumaça que os aviões produzem no céu durante o Festival das Abóboras. Fui escalando passo por passo, para não ser escutada, até chegar a um ponto onde era possível ver o céu acima das nuvens.”
Uma lágrima se forma no rosto de Mônica.
“Eu entrei em choque naquele dia. Chorei continuamente por uma hora seguida ... Não havia nada que eu poderia fazer ao ver e escutar aquilo, além de chorar ... Foi terrível ...”
Apertando os olhos, numa expressão que mistura dor e raiva, Mônica continua a caminhar determinada e levando o cão selvagem no colo.
“Ali, eu fiz uma promessa pra mim mesma! Ainda que demorasse, eu iria desmascarar o Governo Central e mostrar o que eles escondiam com aquilo tudo! O que foram incapazes de dar um fim ... Então, eu iria encerrar aquele sofrimento.”
A vampira, de repente, quase começa a se lembrar da época que costumava conversar com Letician.
“ Não ... Isso foi num tempo muito antes do massacre dos Cabelos de Sol ...”
Mônica, então, começa a refletir que a caçadora dos leques, que sempre se orgulhava da capacidade em prever os movimentos dos adversários, não foi capaz de se salvar de um ataque desferido por um monstro mágico.
“Letician ... Você sempre foi ótima para ler e prever os movimentos dos monstros e pessoas contra as quais você lutava. Entretanto, num combate múltiplo, a sua deficiência era compensada pelas habilidades do seu irmão. Você era perfeita na luta um contra um, mas só nisso. Você não conseguia ler o movimento de vários adversários ao mesmo tempo. Diferente, Carmalean era imbatível contra diversos inimigos simultâneos. A adrenalina dele ia a mil e os olhos seguiam qualquer tipo de movimento ... Era como se o cérebro dele entrasse num estado de alerta sem igual, numa intensidade imensurável. Se uma poeira voasse perto, Carmalean seria capaz de ver. O problema dele era, ironicamente, o seu ponto forte, Letician ... O combate individual. Acho que Carmalean achava pouco lutar contra um inimigo só por vez e isso baixava a guarda dele, o deixando mais lento. Nesses momentos, ele pensava mais do que agia.”
Enquanto faz essas reflexões, os olhos de Mônica voltam a ficar frios e insensíveis novamente.
“Eu tenho certeza de que, se fossem vários lutadores contra ele, Carmalean teria visto o ferimento do envenenamento na perna. De fato, vocês se completavam. Sempre lutaram e venceram juntos ... Morreram separados. Eu sei que, assim que o Comando Central souber das mortes de vocês, essa cidade irá virá um caos. Entretanto, eu não teria como emboscar vocês em outro lugar sem ser aqui. Afinal, como eu teria a ajuda desse pequeno cachorrinho? Letician ... Minha sorte foi que você jamais iria conseguir prever que uma cauda de um cachorro selvagem seria capaz de lançar uma magia tão poderosa. Você jamais poderia supor que eu estaria viva e iria conseguir descobrir como fazer isso. Enfim ... Você não foi fraca ... Só estava em um terreno desfavorável, lutando contra uma pessoa improvável e no momento errado. Que suas cinzas possam encontrar todos do clã Cabelo de Sol que você dilacerou nos círculos de magia de execução. Que, de alguma forma, eles possam se vingar de você.”
Após chegar acima das nuvens laranjas produzidas pelos aviões do Festival da Abóbora, Mônica segura a emoção que toma conta do interior dela ao ver “aquilo” novamente.
“Hoje eu ponho um final nisso!”
Oculto nas sombras, o Mascarado Vermelho que monitorava Dadar, a vampira de cabelo rosa que pertence ao clã dos Rostos Teatrais, observa Mônica Grivor segurando o cachorro selvagem.
“Eu me lembro daquele cachorro ... Ainda bem que ele sobreviveu. Esse aí já escapou da morte duas vezes. Ele é brabo mesmo.”
Olhando para o mesmo que Mônica observa por cima da fumaça laranja, o Mascarado Vermelho permanece inerte.
“Finalmente essa Cabelo de Sol, digo ... Cabelo de Prata, que é bibliotecária na cidade, vai resolver esse problema. Eu não poderia fazer algo ... Teria de ser ela mesma. Será bom assistir isso.”
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