Flon Singor: Café Com Perguntas Frescas - Capítulo 11 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de mar.

CAP 11 | Café Com Perguntas Frescas
Na altamente organizada e limpa cozinha dos Singor, estão todos a mesa, exceto por Doker. O rapaz continua dormindo, completamente apagado. Flon passa manteiga numa torrada, enquanto especula, com ele mesmo, que o amigo recebeu algum tipo de sedativo.
“Não é possível ... Mesmo com Manu fazendo maior barulho no quarto, o rapaz não acordou ou deu algum sinal de que pudesse despertar.”
A mãe de Flon, Rebeca Singor, ainda está despertando. Com os olhos fechados, ela bebe um café bem quente, que a sobrinha dela tinha acabado de colocar. Beatriz, por sua vez, está comendo biscoitos enquanto lê algo no celular. Ela faz a leitura sob os olhares atentos do irmão Tadeu, que está espionando sem disfarçar. Ele olha na maior cara dura, algo que ele sempre faz. O jovem não quer que a irmã mais nova se envolvesse com más companhias e marca em cima. Esse é um comportamento superprotetor do jovem, que ocorre até com a Camila, que é dois anos mais velha que ele. Já Camila Singor, ela está sentada ao lado de Flon. A jovem está fuzilando, com o olhar, Manu, a qual está sentada do outro lado de Flon. As garotas trocam olhares mortais, uma querendo trucidar a outra. Munu, ainda não se conforma de Camila está sentada tão perto de Flon.
“Essa praga não tem mais nada pra fazer não ...”
Após começar a ver melhor o clima que está se formando na mesa, Rebeca, agora já mais desperta, tentar dar uma tranquilizado nos ânimos dos jovens.
- Manu! Eu fico muito feliz que você tenha trazido o Flon em segurança. Esses jovens de hoje gostam de sair e ficar até tarde na rua. Só que ... Digam-me! Onde vocês estavam. Parece que vocês nem dormiram.
Camila sorri, discretamente, com um sorrisinho de canto de boca. Como foi Rebeca a perguntar, Manu não teria coragem de inventar alguma desculpa esfarrapa. A mãe de Flon sempre trata Manu extremamente bem, como se fosse da família. Para Camila, na melhor das hipóteses, ela irá ficar sabendo onde os três foram de madrugada.
“Se fodeu Manu ... Sai dessa carrapatinho ...”
Ao escutarem a pergunta de Rebeca, Flon e Manu se dão conta de que tinham feito besteira. Manu não deveria estar ali, na mesa com eles, tomando café como ela faz algumas vezes antes deles irem para a escola. Dessa vez a situação é completamente diferente, pois Camila os encontrou como se os três tivessem voltado de alguma festa. Flon ainda não sabe o que responder.
“A gente não pode contar o que aconteceu. Pior que Manu é péssima pra mentiras. Além disso, minha mãe tem um radar que nunca falha para saber quando alguém está sendo sincero com ela.”
Então, quando Flon vai começar a inventar alguma coisa, Manu abre a boca.
- Dona Rebeca, agora tá tudo bem. Entretanto, eu e o Flon tomamos um baita susto. Sumiram com o Doker e só nos disseram que ele estava numa praia. A gente teve que ir pra lá contra a vontade. Ao chegarmos, nosso amigo estava dopado e largado no meio da areia. A gente tá esperando que ele acorde pra sabermos o que aconteceu.
Flon quase cai da cadeira. O rapaz só não desabou no chão porque Camila o segurou.
- Sua maluca!
Após Flon falar, é a vez de Camila.
- Manu! Que irresponsabilidade! Vocês não pensaram em chamar a polícia? Vocês estavam em alguma festa e doparam o Doker? Foi isso? Que tipo de local vocês foram?
Flon, então, tira a mão de Camila do ombro dele, pois o rapaz já sacou que a prima tá querendo queimar Manu com a mãe dele. Antes que o problema piore, Flon tenta explicar tudo.
- Obrigado prima por me segura. O problema é que a gente não estava em festa alguma. Essa maluca aqui, contou exatamente o que aconteceu. Pode perguntar pra mãe, pois ela sabe quando alguém tá mentindo. Só que ...
Flon olha com cara de poucos amigos pra Manu.
- ... nessa situação, acho que a gente podia ter tentado inventar algo. Né, Manu?! Além disso, a gente não sabe quem deixou o Doker na praia. Não temos a mínima ideia. Não chamamos a polícia pois fomos pegos de surpresa. Depois de o resgatarmos na praia, eu trouxe “saquinho de batata” para cá e Manu foi pra casa dela. Aí quando acordei, a Manu já estava aqui pra ver se o Doker estava melhor.
Rebeca, com um olhar estreito, só escuta Flon falar. Pior que qualquer bronca, o silêncio dela é assustador. Então, Tadeu resolve se levantar da mesa, chegar perto do primo e dar um soquinho no ombro do rapaz.
- Cara Flon! Você deveria ter me chamado. Se fossem bandidos querendo resgate? Se fosse coisa pior? Provavelmente, devem ter limpado o Doker. O coitado deve tá mais liso do que eu depois que gasto minha mesada. Quando for assim, pode me chamar cabeça de laranja.
Então, Tadeu leva uma canecada na cabeça dada por Rebeca. Depois outra, desferida por Beatriz.
- Gente! Que isso? O Flon só levou a carra... Digo! A Manu! Ela não ia dar ajuda nenhuma se fossem bandidos. Ele deu sorte!
Então, Tadeu vê Manu segurando a caneca dela e apontando para ele. Depois a jovem, com a outra mão, levanta três dedos, indicando que Tadeu tinha tomado uma terceira caneca na cabeça de forma simbólica e a distância. Em meio a tudo isso, Rebeca continua a olhar para o filho.
- Flon ... Vocês correram risco? Machucaram-se? O Doker tinha brigado com alguém?
- Não mãe. Não tinha ninguém lá na praia além dele. Eu acho que ele tá bem, só tô esperando aquela pedra acordar. Eu acho que deram algum sedativo.
Beatriz, ainda lendo no celular, diz o que ela acha, sem olhar para ninguém.
- Deve ter sido algum dos delinquentes da sua escola Flon. Devem ter depenado o Doker. Se te mandaram mensagem pra ir buscar ele, no mínimo sabiam que vocês são amigos.
- Filho! Seja como for, o importante é que você está bem. Você, Manu e Doker. Vamos torcer para ele acordar antes de sairmos pra trabalhar. Qualquer coisa, ele fica aqui descansando. Depois no almoço, você e Camila passam aqui pra ver como ele está. Se bem que ... Pensando melhor ... Manu, você pode ficar pra esperar e ver se ele vai acordar bem.
- Deixa comigo Dona Rebeca! Não tem problema nenhum! Hoje é sábado, então não tem escola. Eu fico aqui se ele não acordar. Ah! Antes que eu me esqueça Tadeu! O que é Carra? Você me deu algum apelido? Foi? Carranca? Você me acha feia?
Todos ficam brancos, até Camila. Pelo fato de Manu nunca desgrudar de Flon, todos chamam a jovem de carrapatinho, até Rebeca. Os únicos que não sabem desse apelido é a própria Manu e o Flon. Então, Tadeu tenta contornar a situação.
- Eu?! Eu?! Acho que eu falar “cara”, mas aí lembrei que você é menina. Sei lá! MANU! Eu tinha levado duas canecadas.
Manu, ainda segurando a caneca, olha para Tadeu.
- Sei Tadeu! Tô sabendo! Oooolha que ... Se eu descobrir, vou entrar na competição com a Dona Rebeca e sua irmã pra saber quem te dá mais canecada, hein!
- Faz isso não Manu! Esquece isso! Só eu quem sofro aqui gente! Dá canecada na Camila!
Após Beatriz mudar o assunto, todos continuam a conversar normalmente. A única exceção ao normal é Camila e Manu se encarando, enquanto Flon não está nem aí para elas. Em meio a risadas e piadas, Rebeca nota a preocupação no rosto do filho e sente que tem algo a mais acontecendo. Entretanto, como ela sabe que Manu não mentiu, ela preferiu não continuar o assunto, pois seria como se estivesse duvidado da palavra da jovem. Ainda assim, Rebeca está anotando, no caderninho mental dela, diversas perguntas para fazer ao filho depois.
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