Flon Singor: Ajuda Aleatória - Capítulo 14 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
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Atualizado: 21 de fev.

CAP 14 | Ajuda Aleatória
Após fazer todas as entregas do expediente do dia para a mãe, Flon vai para a cidade abandonada novamente. Dessa vez, ele não fica na casa que foi da família dele e prefere o que sobrou de um antigo centro médico. O rapaz está sentado em cima da única, velha e desgastada, maca do local, a qual, por um acaso de sorte, não foi saqueada junto com tudo que era de metal daquele lugar.
“Outro dia está se encerrando ...”
Flon está olhando para um imenso buraco na parede, onde deveria haver uma janela. Ele contempla o entardecer daquele sábado. O Sol se põe no horizonte, tingindo o céu de vermelho e laranja, criando um degrade de cores. As nuvens do céu parecem as espumas de um mar terno e suave que se desmancham na beira da orla. Os olhos do jovem refletem, além do brilho do Sol, os anseios e as vontades que queimam no interior de alguém ciente de estar muito longe da potência plena do poder de luta que possui.
“Eu sei que tudo que fiz é muito pouco ainda. Eu sinto isso ...”
Não tendo com quem conversar – um mestre ou alguém mais velho que tivesse os mesmos poderes que ele – Flon se vê obrigado a criar seu próprio estilo. Ele tenta dominar, do jeito dele, todo o poder de combustão que é capaz de produzir. Então, enquanto vê o Sol sumir, o jovem pega uma pequena pedrinha de concreto que está do lado dele e começa a jogá-la pra cima.
“Eu tenho visto vídeos de luta na internet. Também andei pesquisando algumas coisas sobre autocombustão, mas nada se compara ao que sou capaz de fazer. Eu nem mesmo sei explicar como meus cabelos retornam ao normal após eles pegarem fogo. Os fios deveriam estar queimados. Será que são eles que começam a liberar as chamas e são imunes ao fogo? O fato é que ... Eu não sinto nem minha cabeça quente durante o processo ... Nem meu sangue fervendo por dentro ... Mesmo que as chamas que substituem meu cabelo sejam capazes de queimar o concreto em segundos, meu corpo não sofre nada. Às vezes, tenho a impressão de que fico mais acelerado e agressivo. Entretanto, tirando essa ligeira impressão, não percebo nenhum tipo de dano ou efeito colateral físico em mim.”
Após dar um salto da maca e caminhar, ele segue em direção a saída chutando mais pedrinhas de escombros que estão pelo local. Com as mãos no bolso, ele começa a refletir sobre quem era a pessoa com quem ele tinha conversado ao telefone. Sobre a razão dele ter aqueles poderes. Sobre como ele poderia desenvolver um método de treino para ficar mais forte.
“São perguntas que não param de aparecer em uma mente sem respostas ...”
De repente, Flon percebe que caminhou muito além do pretendido. O rapaz andou tanto que nem percebeu sair do hospital e chegar até os limites da cidade em ruinas. Ainda tentando se situar, ele avista uma menina vendendo bolinhos pela rua.
“Cara ... Se tá ruim pra mim, pra ela deva tá pior ainda. Pra vir parar aqui, nesse local onde não tem ninguém, essa pobre garota deve ter andado por horas e horas. Deixa-me ver se tenho algumas moedas no meu bolso. Se bem que ... Eu tô morrendo de fome mesmo.”
A menina, que parece ter uns 15 anos, carrega uma caixa de plástico transparente repleta de bolinhos. Além disso, ela está com uma bolsa. Nessa, há uma garrafa térmica e alguns copos. Cabelo castanho, preso tipo um coque, ela anda com passos lentos e já está bem cansada. O corpo reflete o desanimo de alguém que não conseguiu vender nada por horas. Então, ela escuta uma voz.
- Oi! Menina! Quanto tá o bolinho. Tem café ainda?
Ela vira pra trás, como quem não acreditasse. Vendo Flon, ela gagueja.
- O ... O ... OOO ... Oi! Vo ... Você quer comprar os bolinhos! Eles estão cinco reais cada! Tenho café também! Ele é o melhor da cidade, mas acho que, pela hora, deve tá um pouco frio. Se você comprar o bolinho leva o café de brinde. O que acha?
Após se aproximar, quando Flon vai entregar o dinheiro, ele escuta a barriga da garota roncando de fome. Então, o rapaz pega a carteira no bolso de trás e pega mais algumas moedas.
- Dia pesado garota? Não?! Vamos fazer assim ... Eu vou querer três bolinhos e me dá só um copinho de café de brinde.
- Ah! Não se preocupe! Tá ótimo!
Flon, primeiro, dá o dinheiro para a vendedora. Então, ele pede o café e aponta para um bolinho só.
- Ah! Lógico! O senhor já quer comer um agora mesmo! Pra já! Quer que embrulhe os outros dois para viagem?
- Não precisa não!
Após pegar o que queria, ele se senta no meio fio da calçada. Enquanto a garota ainda está segurando os outros dois, Flon bebe o café e come o bolinho que pegou. A jovem está um pouco sem graça, pois esperava que ele já ficasse com os três logo. Ao se tocar que a vendedora está parada do lado dele, Flon faz um gesto com a mão.
- Senta ai garota! Esses dois são seus. Você deve ter andado por horas. Tem ninguém nessas bandas, exceto eu que costumo vir aqui. Antes de você chegar no centro, vai precisar colocar alguma coisa na barriga.
Nisso, a garota começa a olhar para os lados e percebe que tudo ali parece bem deserto.
- Eu ... eu ...
- Você deve estar cansada e sem se alimentar. Deve ter ficado andando e andando sem rumo, sem nem pensar para onde estava indo. Senta aí e come junto comigo. Eu já estava indo embora pra casa. Vamos forrar o estomago e te faço companhia na volta.
Então, a menina, com o estomago roncando mais alto ainda, senta-se e começa a comer os bolinhos.
- Muito Obrigada! De Verdade! Eu só revendo esses bolinhos. Não tinha nem como tirar pra mim mesma. Muito Obrigado!
- Nada! Eu imaginei que fosse essa a situação. Relaxa! Precisa agradecer não. Meu nome é Flon! Você é?
- Olivia! Prazer! E você? Por que vir para um lugar tão deserto como esse?
- Pra pensar. Eu não sou muito bom em pedir ajudar. Além disso, não sei se alguém pode me ajudar a resolver o problema que tenho.
- Quem sabe eu possa conseguir! Diz! É algo bem sério?
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