Duon Naliart: Lágrimas Entre Híbridos - Capítulo 14 (T1) | Light Novel Universo
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- 22 de fev.
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Atualizado: há 3 dias

CAP 14 | Lágrimas Entre Híbridos
Num lugar bem distante da capital, uma moto se aproxima de uma construção abandonada numa pequena cidadezinha. O rapaz usa um jaleco, denunciando que ele saiu no horário de almoço sem ter tido tempo de deixar a vestimenta num armário. Kranfa, um dos híbridos que está a serviço do Pianista, começa a desacelerar à medida que chega no portão aberto e enferrujado do lugar.
- Pronto ... Terei só alguns minutos antes de sair e voltar para a faculdade.
Ele desce da moto e olha tudo ao redor. Algumas pessoas, bem poucas, caminham devagar pelas ruas da cidadezinha, como se o tempo nunca passasse de forma rápida por ali. Ao longe, uma senhora bem velinha acena para o rapaz, como se o reconhecesse de outras épocas. Kranfa, na forma humana, responde com um sorriso e um balançar de braços calmo e sereno.
“Ela sempre faz esse trajeto. Eu lembro das boas e deliciosas aulas de química com ela. A professora Drinkaisu ainda mantém o mesmo olhar calmo e cheio de vida dos tempos de antigamente. No fundo, eu tenho saudades daquele período em que tudo era muito mais simples”.
Kranfa, após encostar a moto na parede, caminha devagar e passa pelos portões desgastados pelo tempo. Ele atravessa o imenso pátio que, no passado, era o estacionamento da escola onde ele estudou com amigos da mesma espécie que ele.
- Ela deve estar no laboratório de química, como de costume. É bem frustrante a Krenfe se recusar a usar celular. Ela tem essas manias de perseguição insuportáveis. Tudo seria mais rápido, se eu não precisasse me deslocar constantemente para cá.
Então, ele olha na direção da janela do segundo andar da escola em ruínas. Por detrás de uma janela com vidros quebrados, ele observa um vulto o observando.
- É! Ela tá lá como sempre. O dia que demolirem essa escola, ela vai ficar arrasada. Eu já não sei mais o que posso dizer para tentar fazer com que a Krenfe siga em frente!
Dentro do laboratório, sujo e maltratado pelo abandono, uma híbrida da espécie Sefeno está encostada na parede, observando Kranfa entrar no prédio. Assim que o visitante some da vista dela, a criatura se dirige para uma das bancadas com assentos de azulejo branco encardido.
- Qual será a tarefa dessa vez ...
Ela levanta um pano sobre a bancada e revela uma máscara com notas musicais. Krenfe muda a forma do rosto para a de uma bela garota de cabelos verdes. O rosto formado é encantador e possui uma pinta no canto da boca. Os olhos são finos e misteriosos. Com suavidade, a amiga de Kranfa leva a máscara até o rosto.
- Qual lugar teria de atacar dessa vez.
Olhando para a entrada do lugar, ela espera por Kranfa. Subindo as escadas, o Sefeno para em um andar. Então ele começa a relembrar do passado.
- Foi aqui que a Krinfi deu as máscaras com as notas músicas que usamos até hoje. Ela era tão cheia de vida! Tudo que a pobre Krinfi queria era montar uma banda, correr o mundo e ser feliz. Um sonho tão doce e inocente. Ela queria poder encontrar mais gente da nossa espécie. Pena que tudo terminou do jeito desastroso que foi.
Kranfa avança mais alguns passos e uma lágrima começa a escorrer do canto dos olhos dele.
- Não entendo como a Krenfe gosta de ficar nesse local. Eu ainda lembro dos alunos vestidos com máscaras de raposa dourada correndo por todo esse lugar. Foi um terror e tormento sem fim. Quem poderia imaginar que o namorado da Krinfi seria um traidor. Eu ainda irei achar aquele maldito e fazer ele passar por cada experimento que a minha amiga foi submetida. Eu não descansarei ...
Kranfa cerra os punhos com um ódio colérico sem igual.
- Foram meses insuportáveis dentro daquele laboratório do Instituto Aisker. Se os soldados não botam abaixo aquele lugar, eu nunca teria conseguido escapar. Pena que não deu tempo deles chegarem antes da Krinfi ... Antes ... Eu tenho de ser forte por todos os meus amigos! É isso que eles esperam de mim.
No laboratório, Krenfe começa a cantarolar uma suave, mas ritmada, melodia. Então, ela bate os dedos sobre a bancada, como se estivesse encostando nas teclas de um piano. Sem que ela possa controlar, lágrimas começam a cair sobre o “instrumento imaginário” e formam bolsões que vão espalhando a camada de sujeira sobre a superfície encardida. Ao ver o próprio reflexo, ela desaba o rosto contra a bancada. Sons de choro e soluços descontrolados tomam conta do ambiente. Então, inesperadamente, uma mão calorosa repousa sobre o ombro de Krenfe.
- Você precisa parar de se punir Krenfe ... Não foi sua culpa e já passou tempo demais. Krinfi não gostaria de te ver assim ... Destruída e arrasada.
A linda jovem, levanta o rosto, mas não consegue segurar as lágrimas, que escorrem como cachoeiras. Com a voz embargada, ela tenta dizer o que quer.
- Diz ... Diz Kranfa ... Só diz onde tenho que atacar ... O que tenho de roubar ... Qual a nova missão que o Pianista deu para gente! Só ... Só isso que preciso saber ...
- Eu, qualquer dia, irei te tirar a força desse prédio ... Isso se eu e o Kronfo não colocarmos esse local abaixo! Eu amava essa escola, mas isso aqui não é mais o local que conhecemos.
- Vo ... Vo ... Você nem pense em fazer isso! Aqui é o único lugar que eu consigo ter para poder me lembra dos melhores anos da minha vida!
- Não! Você pode vir comigo e com o Kronfo! Estamos em turnê, como a Krinfi sempre sonhou! Isso ...
- Não! Vocês estão em um plano de vingança, assim como eu! Só que, diferente de vocês, não vou manchar o que de mais puro eu me lembro da Krinfi. Esse rosto ... Essa máscara ... Nada disso trará a nossa amiga de volta! Por isso, eu não me recuso a usá-los nas missões. Entretanto, jamais irei macular o ideal dela de viajar e levar música para todos e qualquer ser de bom coração! Isso, eu jamais farei.
Num gesto de empatia e carinho, Kranfa abraça a amiga.
- Perdoe-me! Eu sei ... Você está certa. Eu e Kronfo nos tornamos monstros, mas você não precisa trilhar por esse caminho.
Com suavidade, ele beija a testa de Krinfi, que desfaz a aparência humana e volta ao rosto de salamandra.
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