Duon Naliart: Expondo Verdades - Capítulo 13 (T1) | Light Novel Universo
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- 22 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

CAP 13 | Expondo Verdades
Laís cospe um dente quebrado e começa a dar risada.
- Senta aí, lutadora de UFC nanica! Sorte sua que esse dente já estava ruim e a minha espécie regenera a dentição em uns dois dias. Obrigada! Você me evitou uma ida ao dentista.
- Sua espécie ... Fale! O que você é, afinal?!
- Puxa uma cadeira! Vai ficar aí de pé com essa respiração ofegante! Tu é forte, mas não precisa fingir que quase não morreu pra fazer aquela acrobacia mirabolante! Foi seu golpe especial? Um ataque bem bom! Você usa a energia da rotação do corpo com a energia da queda e focaliza tudo num ponto só! Bom ...
- Para de desviar do assunto.
- Senta logo mulher! Eu já tô aqui no chão! Anda!
- Tô bem aqui, onde eu estou! Você tem muito a contar, então é melhor começar a falar logo antes que sua amiga acorde e te veja assim. Acredito que ela não imagina que a amiga de infância dela seja um monstro. Isso se você a conhecer, realmente, desde pequena.
- Você é bem chatinha ... Quer ficar em pé! Então fica! E ... Para começo de conversa. Eu não sou um monstro. Assim como os humanos se classificam como humanos, a minha espécie se classifica como Sefenos. Bom ... Por onde eu começo ... Há uns 60 anos, o povo do meu planeta descobriu um portal que dava acesso a esse mundo. Não sabemos quem construiu, eu não sei como acharam ou, tão pouco, onde ele fica. Bem ... Melhor dizendo ... Ficava.
- Ficava?!
- Isso! Tu tá surda! E ... Deixa de ser impaciente e espera eu terminar de falar! Há 60 anos, os Altos Sefenos decidiram que iriam invadir o seu planeta através do portal, em busca de compostos raros para o nosso mundo. Um grupamento de reconhecimento foi enviado. Neles estavam meus pais. O problema é que nosso povo é muito dividido e tem gente que odeia os Altos Sefenos. Quando os soldados chegaram no seu planeta, viram pessoas levando uma vida normal, com filhos ... Netos ... Crianças correndo na praia ... Tudo bem fofinho. Resultado. O pessoal que veio para cá, fazer o reconhecimento, tomou a decisão de destruir a parte do portal que ficava aqui na Terra.
- Altruístas?!
- Azarados ... Eles viram uma parcela beeeeeem pequeninha da espécie humana. O local onde eles aportaram era uma vila de pescadores bem pacata. Se os soldados do meu povo tivessem feito o que deveriam fazer, reconhecimento do planeta, acho que não teriam destruído o portal e se autocondenado a ficar presos nesse lugar.
- Você está querendo dizer que eles se arrependeram depois.
- Os que foram para mais além da vila de pescadores, como meus pais, certamente. O grupo do meu planeta que veio para cá foi caçado por tudo quanto é lado. Governos, religiões, seitas, negociantes do mercado negro, cientistas e o que mais você possa imaginar. Nós escondemos usando uma habilidade que os jovens do nosso planeta usam: mimetismo de formas. Os adultos, nunca trocam de rosto pois não gostam, mas aqui ... Tivemos de ocultar nossa identidade para sobrevivermos.
- Existem quantos de vocês ainda?
- Eu perdi contato com alguns que saíram para além da vila de pescadores. Meus pais procuraram formar um grupo fechado com outros Sefenos, mas não passava de 10 adultos e os os filhos deles. Acho que um total de 15 Sefenos.
- Quantos de vocês vieram para esse planeta?
- Na época, foi um grupo de 5000 soldados. Lembro de meus pais falando que quase 3000 mil foram mortos pelos humanos nos primeiros anos após chegarmos aqui. Enfim ... Não vou dizer que minha espécie é pacífica, assim como a sua não é também. O que posso dizer é que não quero briga contigo. Então ... Senta na merda dessa cadeira que já tá me dando agonia te ver parada aí em pé mulher.
Após as palavras de Laís, Dick desarma a postura. Respirando com dificuldade, ela puxa uma das cadeiras e se senta.
- Agora ... Fala! O que você sabe sobre uma Raposa Dourada de Duas Cabeças?
- Bom ... Você, de verdade, sabe perceber quando alguém menti pra você. Então, vamos aos fatos. Meu povo foi perseguido. Um dos nossos inimigos foi um grupo que cultuava uma Raposa Dourada de Duas Cabeças. Na visão deles, a origem do meu povo é do mesmo lugar onde essa tal Raposa governa. Resumo ... São loucos! Eles capturam um monte de Sefenos para tirarem órgãos e fazerem os experimentos mais bizarros possíveis.
- Como você sabe disso?
- Meu pai escapou de um laboratório deles. Na época, a gente não tinha mais esperança de que o veríamos vivo novamente. Então, numa madrugada, ele chegou em nossa porta. Estava sujo, machucado e fraco. Ele veio se arrastando como pode. Se escondendo em caminhões, de baixo de ônibus de viagem ... Ele sofreu horrores até regressar para casa.
Dick escuta atenta, mas, inesperadamente, o estômago da ajudante de Duon ronca de fome. Mantendo a pose, ela continua a querer saber mais sobre a história de Laís.
- Como ele fugiu do laboratório?
- O que ele contou, na época, foi que o lugar sofre uma invasão para libertação dos reféns. Quem foi e por qual motivo, ele não ficou para saber. Meu pai estava com medo de que fosse um outro grupo que perseguia meu povo. Só que ... Tu não me engana mulher! Você deve ter seguido a Sofia por horas, estrada acima, para chegar no alto dessa montanha. A pobre não aguentou e desabou no sofá. Você, no mínimo, deva estar morta de fome. Tem comida na cozinha. Não quer fazer uma pausa pro café.
Dick não fala uma palavra sequer. Ela pega o celular e lê uma mensagem enviada por Duon. Com dedos rápidos, ela responde ao detetive. Em seguida, a jovem olha nos olhos de Laís.
- Uma trégua. Momentânea ... Talvez, tenhamos um inimigo em comum ... Talvez ... Se importa de eu pegar minha arma?
- Nada! Fique à vontade mulher! Se depois de tudo que te contei, você ainda quiser atirar em mim ... O que eu posso fazer?
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