Michael Trove: Tratores E Sala De Aula - Capítulo 16 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
- 6 min de leitura
Atualizado: há 4 dias

CAP 16 | Tratores E Sala De Aula
No Brasil, na escola modelo anexa à faculdade Son-On, amparada pelo Deus Odin, Soraia, a aluna número um da turma que Nori estuda, está lendo o capítulo do livro de matemática dela. De repente, para a surpresa da jovem ruiva com sarnas, ela vê Nori entrando na sala de aula. O garoto se senta numa das cadeiras do fundo e ajeita o estranho cabelo verde que possui. Soraia, rapidamente, volta a olhar para o livro, como quem não quer dar atenção para aquele feito histórico.
“Eu não acredito que Nori chegou no horário para a aula de matemática da professora Dufy. É sério que ele não está matando aula como sempre?”
A representante de turma tenta focar na leitura, mas a curiosidade em saber os detalhes por trás daquele acontecimento é mais forte. Soraia se levanta da cadeira e, rapidamente, vai até o garoto.
- Nori! O professor Michael te deu um sermão gigante de novo? Dessa vez você escutou? O que aconteceu para você estar aqui ao invés de matar aula. Conta! Conta! VAI!
- Michael?! Soraia ... Eu tô aqui porque dei azar. Ontem, eu estava dormindo em cima de umas das árvores que ficam lá na parte da reserva que o pessoal usa pra estudo de botânica, mas, do nada, o melhor galho do meu esconderijo de cochilo quebrou e eu despenquei. Resultado ... Eu acordei de forma forçada.
Após Nori dizer essas palavras, Soraia dá um tapa na cabeça do garoto, com tanta força, que ela vai pra frente e quase não volta mais pro lugar.
- Acordou pra vida, seu irresponsável! Você estava dormindo de novo!
- Calma Soraia! Minha cabeça é grudada no corpo! Tá pensando que ela é bolinha de vôlei?!
- Não reclama e continua! Você não viria pra aula só por isso. O que teve além?
- Então ... Após a queda, eu acordei e o meu estômago começou a roncar de fome. Eu sempre tenho uns lanchinhos espalhados por aí, mas todos tinham sumido. Sem opção, eu fui para a cantina da faculdade. Meu azar foi que a professora Dufy estava lá! Ela disse que se me visse matando aula de novo, ela iria moer meus braços embaixo de tratores.
- Credo Nori! Ela falou pra te assustar. Ela não ia fazer isso não.
- Soraia, ela disse isso enquanto estava segurando meu ombro e arrebentando meus ossinhos com as pontas dos dedos ... Depois, ela sussurrou no meu ouvido que sabe que eu posso regenerar meu corpo de qualquer dano. Poxa ... A Dufy é linda que só! Em qualquer outra situação, eu teria gostado dela sussurrando no meu ouvido, mas ontem não! Ela estava esmagando meu ombro pra valer. Além disso, eu fiquei imóvel por conta da energia que ela estava liberando. Quando ela me pediu pra eu pensar no quanto de dor eu poderia sentir, eu quase desmaiei. Se, com ela fazendo pouca força, eu já estava mal, imagina ela querendo me machucar de verdade.
Soraia fica congelada de medo só em imaginar a cena. Com a voz, um pouco trêmula, ela tenta comentar algo.
- Eu ... Bom ... Eu sei que ... Eu já vi meus pais falando que a professora Dufy era terrível, mas eu não sabia que ela poderia ser tanto assim. Cara! Ah! Nori ... Olha só! Ela só, como você disse, estava quebrando seus ossinhos pois sabia que você iria regenerá-los.
- Eu sei! PÔ! Por isso eu tô aqui ... na aula dela! Se o Michael não tivesse contado isso pra Dufy, tenho certeza de que ela jamais pensaria em machucar um aluno. Só que ... Dessa vez eu me ferrei em verdinho e amarelo ... Né.
Então, sem que os dois percebam, toda a turma está olhando para Nori e Soraia. Além disso, Dufy está atrás da dupla. A professora, com uma postura inquebrável, espera os alunos terminarem de falar. Quando os jovens, finalmente, percebem uma estranha energia perto deles, os dois ficam mudos.
- Acho que, caso vocês me permitam, eu posso começar a aula? Não?
A alma dos dois parece soltar do corpo. Soraia vai correndo, mais rápido que um relâmpago. Por sua vez, Nori começa a arrumar as coisas na mesa dele, mais rápido do que mecânicos de carros de fórmula 1. Em menos de 10 segundos, Soraia e Nori já estão com os materiais arrumados e prontos para aula.
- Muito bem turma! Agora vamos começar!
Antes de se dirigir para a frente da sala, inesperadamente, Dufy inclina o corpo na direção de Nori. Sem que o rapaz possa ter tempo para pensar em qualquer coisa, ela se aproxima do ouvido dele e sussurra algo.
- Nori ... É uma pena você estar aqui ... Eu já tinha alugado uns tratores para hoje. Poxa!
O corpo de Nori é uma casca vazia, pois a alma do jovem, que tinha saído no primeiro susto, recusou-se a retornar, metaforicamente falando. Após alguns segundos, enquanto ele ainda recobra a cor do rosto, Dufy, finalmente, afasta-se de modo firme e imponente, como ela sempre anda. Em pensamentos, Nori procura pensar que a professora só está metendo medo nele.
“Essa foi por pouco ... Logo ela me esquece e larga do meu pé ...”
Entretanto, quando ele olha pela janela, vê dois imensos tratores do lado de fora. Ofegante, ele escuta que alguém bate forte na porta da sala de aula. Então, dois homens, com uniformes do tipo quem trabalha em empresa de máquinas pesadas, são educadamente recebidos por Dufy. A turma inteira olha a professora assinar um papel, tipo uma nota de entrega. Ao final, um dos entregadores faz um comentário que estraçalha Nori por dentro.
- Eles foram uma excelente aquisição! Esperamos que possa fazer bom uso deles.
“Bom uso deles ... Bom ... Bom uso ... Bom uso deles ... Uso deles ...”
Ao mesmo tempo que aquelas palavras ressoam pelo cérebro do rapaz, Dufy olha para Nori e sorri. O garoto, simplesmente, engole seco novamente. Então, ele somente abre o caderno, segura firme no lápis e finge não ter entendido nada. A única intenção de Nori, naquele momento, é parecer estar super atendo para o início da aula.
“Eu tô ferrado ... Que droga ...”
Enquanto isso, na primeira fileira de cadeiras, os olhos de Soraia são pura felicidade. Finalmente, alguém deu jeito no Nori! Para a representante de turma, ela nunca iria ver Nori se sentar numa cadeira para prestar atenção na aula, mesmo que por livre espontânea pressão. A ruiva começa a viajar em lembranças. Ela recorda de tantas vezes que tentou fazer com que o garoto fosse as aulas normalmente.
“Isso é um milagre! Eu admiro cada vez a professora Dufy!”
Após duas horas de aula, a professora de matemática se prepara para ir dar aula em outra sala. Então, os alunos olham o professor Santego parar na porta e esperar a amiga sair para ele entrar e dar a próxima aula. Soraia olha pra trás e observa que Nori já está com o pezinho virado pro lado, do tipo quem vai esperar Dufy sumir para meter o pé da sala. Entretanto, ele magicamente volta a se sentar normalmente na mesa, como se fosse o aluno mais comportando do mundo. O jovem, suando frio, exibe um olhar de quem está puramente ferrado.
"Tô lascado ..."
Soraia, instantaneamente, olha pra frente e vê que Dufy está falando no ouvido de Santego. A professora de matemática aponta para o lado de fora da sala, fazendo um gesto de como se houvesse algo parado lá no pátio. A representante de turma pensa se os professores estão falando sobre os tratores. Sem saber ao certo, ela nota os olhos de Santego com uma expressão de riso ao olharem para Nori. Então, o grande professor, dono de longos cabelos vermelhos, só dá um aceninho para o garoto. Nori, por sua vez, responde acenando, mantendo um imenso sorriso. A todo custo, o rapaz quer passar a impressão de que tudo está super bem e ele está superanimado para a aula de química. Então, após Dufy sair, Santego, não podendo esconder a felicidade no rosto, entra e coloca a mochila sobre a mesa.
- Bom dia turma! Antes de tudo, quero dizer que tô muito feliz da turma estar completa hoje. Então, vamos continuar a classificação dos ácidos do ponto de onde paramos ontem!
Os alunos não entendem o que está acontecendo! Nori está sentadinho, anotando tudo que Santego fala. Até os amigos do garoto não compreendem por qual razão Nori está ali, estudando com dedicação ... Suando, literalmente, a camisa. Por dentro o rapaz só repete uma frase.
“Logo eles esquecem de mim ... Preciso aguentar firme! Logo ...”
Nisso, uma outra aluna do fundo, que também está vendo os tratores no pátio da escola, pensa outras coisas. Longos cabelos azuis e de olhos pequenos, ela parece ter etnia asiática. Além disso, essa aluna tem duas tatuagens, apesar da idade. No braço direito, um tigre branco, enquanto, no esquerdo, um leão negro. Todos na turma, acham que ela coloca decalques, mas aquelas gravuras, no corpo dela, são verdadeiras. Somente Soraia, a representante da turma, sabe que não são falsas, pois conhece os pais da aluna em questão, que chama Rubera. Assim como a pequena ruiva com sarnas, Rubera é filha adotiva de antigos combatentes das Guerras Astrais. Ela não sabe das habilidades especiais de Nori, mas tem diversas suspeitas.
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