Michael Trove: Maquiagem Laranja - Capítulo 18 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
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Atualizado: 9 de abr.

CAP 18 | Maquiagem Laranja
Na sala dos professores, após terminar de dar a aula de biologia, Juliana tenta ligar para o irmão adotivo, Mankara Tori, mas o celular dele continua não dando sinal. Ela coloca a bolsa na cadeira enquanto anda, de um lado para o outro, com o celular no ouvido. Nisso, ela escuta um barulho na janela. Ao olhar para o local, ela observa uma mulher, com uma roupa ninja negra. Ela, rapidamente, corre em direção à porta para trancá-la e impedir que outros professores ou alunos entrem na sala. Depois, a professora de biologia segue para janela. Então, sem perder tempo, ela puxa pra dentro a ninja, quase que na base de pescotapas.
- Nife! Você tá maluca? Chegando pela janela! Dessa forma? Tudo bem que fomos alertados pelo Pepê, mas isso aqui é uma escola! Do lado de uma faculdade. Não dá pra chegar assim pelas janelas. Os alunos de hoje em dia têm vários celulares que tiram fotos e filmam. Como que iriamos explicar um ninja numa janela?
Após falar isso, ela volta até a porta para destrancar a entrada.
- Pronto! Uma maluca vestida de ninja aqui dentro é mais fácil de explicar do que uma doida pendurada na janela pelo lado de fora. Agora me diz ... O pessoal da brigada 41 ... Tá todo mundo aqui por perto Nife?
- Juliana ... Vamos dizer que eu vim na frente. Os outros estão checando locais abandonados e possíveis esconderijos de Armurais. O Carion pediu para eu confirmar se estão todos bem. Eu nem tive tempo de lembrar que a tecnologia aqui no mundo dos vivos já evoluiu assim. Obrigada por me lembrar disso.
- Vocês já acharam alguma coisa?
- Até agora, nada. Pra ser bem sincera, eu não acredito que iremos encontrar qualquer coisa que seja. Michael tá vindo pra cá, mas quero confirmar algo que fiquei sabendo por alto.
Juliana pega um copo com água para beber enquanto escuta a ninja.
- Parece que uma menina tentou atacar o Michael. Eu não consegui acreditar ... Uma Armurai fraca ... Tão fraca que ele conseguiu resgatar uma das almas que foram usadas para forjar esse monstro. Ele deve chegar com ela ainda hoje aqui.
Logo após escutar essas palavras, Juliana quase se engasga.
- Como é que é? Santego tinha me contado por alto, mas eu não sabia que ele tava vindo com ela pra cá. Aqui! Na escola?! Uma Armurai?! A gente já tá tendo problema com a questão do Nori! Agora ... Uma bomba ambulante, que pode começar a matar os alunos e devorar as almas deles para ir ficando cada vez mais forte! Eu entendi direito?
Sem saber o que responder, a ninja da brigada 41 se senta no sofá, coloca a mão na cabeça e mexe no cabelo, quase rindo de nervoso. Então, ela respira um pouco e pega um outro copo de água que está em cima da mesa. Mesmo não sabendo de quem era a bebida, ela joga o líquido, com força, no próprio rosto, como se quisesse acordar e recobrar a razão. Após alguns segundos de pausa, ela abre os olhos.
- Juliana ... Eu sei! Quase surtei quando fiquei sabendo o que o Michael estava fazendo. Por incrível que pareça, Carion disse que, no lugar do Michael, faria o mesmo. Com a quantidade imensa de Armurais que existem, toda força em potencial de luta deve ser considerada. Eu e Carion não acreditamos que essas novas 350 Armurais sejam fracas. Carion suspeita que o plano do inimigo seja forçar os soldados e as brigadas a procurarem agulhas em palheiros para depois, quando cansarmos e baixarmos a guarda, eles atacarem.
Juliana se senta numa cadeira.
- Só que ... Não ... Espere um pouco ... Eu ia falar dela ser uma armadilha, mas ... Eu sei que é inimaginável o Michael salvando uma Armurai ou alguém conseguindo trazer a alma de um dos sacrifícios de volta. Só que ... Ah não! Ah gente! É uma menina ... Não é? Ela deve ...
- Ter sido terrivelmente torturada Juliana ... Foi o que eu pensei também ... Tenho certeza de que o Michael não saiu contanto, pra essa menina, tudo de uma vez. Não sei como vocês irão fazer para explicar o que é uma Armurai para ela. O que tenho certeza é que, mesmo após o final das Guerras Astrais, ainda temos muitos problemas decorrentes das batalhas, como as 5 calamidades, que só podem ser aniquiladas com o uso do Violino de Alexandria. Ficamos com um monte de consequências, para as quais não temos nenhum manual ou procedimento que dê uma luz de como resolvê-las.
- Nife! Você se sente incapaz? Olhe pra mim? Eu, praticamente, continuo sendo a menina que, do nada, viu o irmão adotivo quase morrendo sem uma perna enquanto o amigo dele cortava a cabeça de um monte de mortos vivos, que estavam brotando do chão dentro de um shopping. Eu sou a pessoa que não tinha poder mágico nenhum durante as Guerras Astrais e que continuo não tendo. Agora, o Mankara não atende minhas ligações e parece que a Inglaterra foi tomada por uma névoa estranha. Se for uma nova Armurai agindo por lá? Vocês quase morreram lutando contra as antigas. Quando lembro daquela Armurai com cara de boneca.
Vendo que Juliana estava começando a tremer as mãos, a ninja da brigada segura um dos ombros da professora. Em seguida, do nada, joga água no rosto da pobre mulher.
- Calma! Não vai adiantar nada se desesperar agora! Aqui é o mundo dos vivos e as Armurais não são tão poderosas aqui. Além disso, o Mankara ficou treinando depois das Guerras Astrais e ele está mais forte. A gente está mantendo contato com o pessoal da brigada 120 e 140 que cuidam da Inglaterra. Eles estão informando que é só o tempo ruim mesmo. O pessoal lá está caçando por esconderijos de Armurais também.
Antes de continuar a falar, Nife percebe a cara de poucos amigos que Juliana está fazendo. Então, a ninja se dá conta que acabou com maquiagem carregada que a professora de biologia sempre usa.
- Ah! Foi mal Juliana! Você deve ter algum estojinho aí com você para refazer essa pintura ... Não?
- Ainda bem que tenho ... Né Nife?
Então, de repente, a dupla percebe que Dufy está de pé ao lado das duas. A professora de matemática segura um estojo de maquiagem perto do rosto de Juliana.
- Serve maquiagem em diversos tons de laranja e rosa?
Fazendo uma cara de reprovação, ela continua a falar.
- Vocês duas ... Só me fazem passar vergonha. Estavam aqui, tricotando os lamentos do passado, sendo que algum aluno poderia ter entrado e pego essa conversa nada convencional. O que vocês iriam dizer depois?
- Ah! Dufy ... Obrigada! Serve nas cores laranja mesmo.
A sempre irritadíssima mulher de cabelos laranja, Dufy Akito, perde a postura após o agradecimento da amiga. Então, ela muda o tom de voz.
- Juliana ... Você está bem? Você só usa maquiagens na cor azul? O que tá acontecendo que é pior ao que já sabemos?
Juliana começa a se maquiar, mas, antes que ela possa a falar, Nife responde pela amiga.
- Juliana está preocupada porque não consegue falar com Manakara. Como você sabe, ele tá na Inglaterra e o país foi tomado por uma estranha neblina. Alguns aparelhos eletrônicos estão sendo afetados, mas nós já falamos com os integrantes das brigadas 120 a 140. Segundo eles, não está havendo nenhum tipo de ataque por Armurai lá.
Ao escutar as palavras da integrante da brigada 41, Dufy joga a bolsa em cima do sofá que há na sala dos professores.
- QUE MERDA NIFE!
Lembrando que está no ambiente de escola, ela respira fundo.
- Agora entendo o desespero da Ju ... Aqueles caras são um bando de incompetentes. Você lembra que das 19 missões de grande perigo que teve lá na Inglaterra, foram os professores da faculdades Son-On que tiveram de intervir. Dessas, vocês, da brigada 41, ajudaram em duas, lutando em conjunto com o Santego, o Glick e a Reura! Às vezes, pra não dizer sempre, acho que as brigadas 120 e 140 fazem vista grossa para um monte de coisas de propósito. Tirando uns quatro integrantes deles que parecem levar bem a sério a responsabilidade que eles possuem ... o restante ... Ah! Vou nem falar! A Ju tem todo o motivo de estar preocupada.
Nife, infelizmente, não pode falar nada. No fundo, ela tem um pé atrás com os membros das brigadas 120 e 140, apesar de não expressar isso. Após as verdades que Dufy disse, Nife se vira para a professora Juliana e ajuda a amiga a corrigir a maquiagem que borrou mais uma vez, agora, não pela água lançada no rosto da pobre, mas por conta das lágrimas que escorrem no rosto de uma irmã aflita.
- Nife! Ju! Recomponham-se! Vamos pensar em soluções!
Afagando os cabelos de Juliana e dando um beijo na testa da jovem, Dufy Akito continua a falar com uma voz firme e confiante.
- Diga-me Nife! Aquela maluca do violino, a Selena ... Ela já se recuperou da última batalha? Como que tá a consciência dela? Podemos contar com aquela bomba relógio de pernas e que usa um par de óculos ridículo?
- Acho que ela está quase 78% normal. Eu estive com a Selena ontem ... Infelizmente, às vezes, as coisas do lado dela começam a quebrar do nada e os olhos da pobre dão sinais de que irão ficar amarelos novamente ...
- Ótimo! Vamos enviar aquela instável lá para a Inglaterra atrás do Mankara. Acho que de todos, só deve ter ela que não tá fazendo nada. Estou certa?
- Tem ela e mais uma outra, com a qual não conseguimos falar. A Caos Menor, mas acreditamos que essa última tá na Inglaterra também.
Ao escutar esse nome, Juliana começa a esboçar um sorriso.
- A Caos Menor! Ela está lá com Mankara então?! Só pode! Se vocês não estão conseguindo falar com ela, a Caos deve estar junto com ele!
Dufy respira fundo. Ela se afasta da amiga e volta até a bolsa da professora para procurar por maquiagens azuis. Após encontrar, sem falar nada, leva os itens até Juliana Tori e pega o estojo que tinha emprestado para amiga. Após dar dois tapinhas de leve no ombro da irmã de Mankara, Dufy se vira pra Nife.
- Mandem, pra ontem, a maluca da Selena pra lá! Maluca por maluca, eu confio mais na estilista atrapalhada do que naquela pessoa, a qual eu não vou nem citar o nome. Aliás, apelido ... Afinal, aquele monte de problemas, personificado num par de saia com olhos castanhos, nem nome possui.
Vendo a amiga furiosa, Juliana tenta suavizar o ambiente.
- Dufy, eu sei que você tem ódio mortal pela Caos Menor, mas ela tem ajudado bastante após o final das Guerras Astrais. Ela sacrificou quase que 98% dos poderes dela para salvar a vida do Mankara na luta contra a Armurai Magi. Senão fosse por ela ...
- Senão fosse por ela? Onde está a Carla? Onde a minha amiga Carla está Juliana? Eu só me lembro de acordar, depois daquela batalha, com o corpo da Carla, metade esqueleto e metade carne viva, em cima de mim. Ela morreu me protegendo ... EU TINHA 14 anos na época e a CARLA 12. Eu não pude fazer nada por ela! NADA! Tudo isso aconteceu porque perdemos para aquela desgraçada da Caos Menor. Eu não sei quem matou a Carla. Eu me recuso a acreditar que ela teria perdido para a Caos, mas o que sei foi que tive que enterrar o que sobrou da minha amiga, aos prantos e vendo o quanto eu era fraca naquela época. Depois ... depois ... Andando pelos corredores que levavam ao local onde Magi estava, só vi um rastro de mais e mais vítimas. Quando cheguei, a Caos Menor estava abraçando o Mankara, com Michael parado do lado dela e vários tanques de ácido ali ... Bem embaixo deles ... Eu teria jogado aquela infeliz e terminado o serviço, mas foi Michael quem me impediu. Eu ... eu ... Eu só não joguei o Michael junto, pois dava pra ver que o Mankara tava quase morrendo e ... e ... e aquela infeliz estava salvando a vida dele. QUE ÓDIO eu tenho de lembrar DISSO!
Pegando a bolsa, Dufy fica de costas para a irmã de Mankara.
- Juliana! Vê se não vai dar uma de fraca e ficar tricotando lamentações pelos cantos. Você dá aula daqui a 9 minutos na turma 2003. Depois, vê se lembra que marcamos de almoçar juntas. Se você conseguir falar com Mankara, diz que eu tô mandando a Caos Menor PRO INFERNO! Esse é o lugar de onde ela nunca deveria ter saído!
Dufy, então, sai da sala dos professores, batendo a porta com toda força. Surpresa, Juliana está quase sem palavras.
- Só ... Só ... que eu sou fraca! Ela esqueceu que eu não tenho poder. Dufy sabe que eu nunca passo esses recados que ela pede para eu falar com meu irmão. Poxa ... Quando que elas irão fazer as pazes? Pelo que Michael falou, foi a Magi que matou a Carla e não a Caos Menor.
Nife, olhando pela janela, fala o que, no fundo, todos já sabem.
- Dufy precisa de alguém pra culpar ... Pensa Juliana ... Ela viu a amiga morrer do jeito que viu. Como a Armurai Magi foi derrotada, só sobrou a Caos Menor para ela descontar o ódio dela. No final, ela nunca vai perdoar a Caos, pois não se trata de perdão.
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