Canino Canis: Patrulha Pelo Leste - Capítulo 13 (T1) | Light Novel Universo
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- 21 de fev.
- 7 min de leitura
Atualizado: 28 de fev.

CAP 13 | Patrulha Pelo Leste
A sede onde os Quatro Magníficos trabalham fica localizada no Estado 1 do planeta onde Canino Canis mora. Naquele mundo existem 520 Estados, todos desenvolvidos tecnologicamente e com elevada qualidade de vida. Além disso, os territórios não são divididos administrativamente em países, mas cada estado está sob a responsabilidade de grupos que lembram monarquias.
- Vamos levar meio século até vasculhar só essa região ...
Patrulhando o Primeiro Estado pela região Leste, as Tropas de Diamante, comandadas por Donabre, somadas às Tropas de esmeralda, lideradas por Oskator, avançam com atenção e cordialidade à população. Eles inspecionando prédios comerciais, instalações médicas, locais abandonados e até casas particulares. Além disso, usam câmeras de leitor espectral para verificarem o subsolo das construções. Eles passam um pente fino e não deixam escapar nada, com esquadrões analisando até as gigantescas galerias de esgoto.
- Não reclame soldado! Nós pegamos a parte mais fácil. Os capitães Donabre e Oskator foram bons com a gente! O batalhão deles está na região dos nobres.
Na região mais luxuosa e cara do Estado, Oskator e Donabre estão indo, pessoalmente, até um dos “condomínios” mais importantes dali. Diferentemente de outros capitães, os irmãos odeiam aquele tipo de ação e interação. Como eles vieram de um planeta que não tinha quase alimento para a população, os oficiais se lembram que, se não fosse a bondade do Dr. Credan, todos da terra natal deles teriam morrido. Apesar da extrema pobreza que eles viviam naqueles tempos, as pessoas daquela região vivam em luxo e nada faziam para ajudar outros locais do universo. Após descerem do carro, chegam a primeira casa que devem visitar.
- Lá vamos nós ... Quando foi a última vez que estivemos aqui Donabre? Após a invasão dos seres de plasma?
- Oskator ... Segura os ânimos ... Você sabe que foi isso mesmo. Não gosto daqui também, mas é nosso trabalho.
Após serem recebidos por nove empregadas muito bem alinhadas e vestidas, eles são conduzidos até uma gigantesca sala de espera. Os irmãos esperam para serem recebidos por um nobre, enquanto aguardam, calmamente, num luxuoso sofá felpudo de finíssimos fios azuis tão escuros como a noite. Aproveitando o momento, o capitão diamante confere, por meio de um dispositivo que lembra um celular, como estão os subcapitães nas outras casas.
“Nenhum problema nas outras mansões ... Alguns já foram recepcionados pelos chefes das casas. Acho que não teremos problemas nesse condomínio ...”
Oskator está batendo com os dedos numa pequena mesinha ao lado. O móvel possui diversos detalhes em prata e é folheado por uma espécie de liga metálica azul, brilhante e reluzente. Ele está impaciente, enquanto o irmão se mantém calmo e sereno. Começando a olhar para todos os móveis da gigantesca sala, rodeada por colossais janelas de vidro que dão vista para um imensurável jardim verde e selvagem (onde algumas aves exóticas voam de um lado para o outro), Oskator percebe que toda a mobilha do ambiente é um jogo de tons azulados. Nesse cenário, há uma gradação de tonalidade que vai do mais claro para o mais escuro à medida que se move os olhos em direção às janelas. O tempo passa e ele olha cada detalhe da decoração.
- Pelo menos, quem arrumou esse lugar tem bom gosto. Diferente do nosso anfitrião, que sabe que temos muito mais para fazer e está nos dando um chá de cadeira a mais de 30 minutos.
- Calma irmão! Os nobres desse planeta são assim mesmo. Eles nunca mudam ... Eu não esperava nada diferente, mesmo que uma demora excessiva possa colocar um alvo e uma suspeita na cabeça deles. Afinal ... Estamos procurando um dos Quatro Magníficos. Qualquer tipo de tentativa de retardo às buscas, pode ser considerada como uma confissão de culpa.
Jogando a cabeça para trás, Oskator reclama mais ainda!
- Então ferrou para os nobres! O governo vai mandar levar todo mundo em extradição para o planeta prisão. Você acha que esse povo, criado com todo conforto e regalias, vai se ligar da gravidade do problema. Esse é a primeira mansão que estamos visitando hoje e já estamos começando bem ... Quero nem pensar nas próximas.
Sem que Donabre e Oskator pudessem esperar, uma linda menina, de uns 25 anos, está detrás do sofá. Ela veste um longo vestido azul, tipo os usados pela realeza medieval europeia na época dos grandes castelos. A roupa possui detalhes em prata. Além disso, a jovem usa luvas num tom de azul bem claro e suave. Os botões de safira realçam a beleza da vestimenta e uma magnífica tiara de ouro parece brilhar mais que o Sol. Entretanto, todo aquele luxo parece não combinar com a cor do cabelo dela, um rosa bem intenso, bem como com a forma que ele está penteado, para trás e dividido em duas imensas transas, que caem pela lateral dos ombros. Por fim, apesar de estar usando um par de óculos elegante com fina armação em safira, percebesse que o modelo não é muito chamativo. Pelo contrário, o item dá uma aura tímida e ingênua a nobre.
- Perdoem-me ... Nobres capitães!
Donabre se levanta calmamente, enquanto Oskator se arrepia da ponta do pé até a cabeça. Então, sem perceber a reação dos convidados, ela continua a apresentação, como se estivesse totalmente concentrada para não esquecer as falas de um roteiro decorado às pressas.
- Perdoem meu atraso! Por favor! Não entendam como má vontade. Fui pega de surpresa quando me informaram que vocês estavam vindo para essa mansão. Tive de vir da faculdade para receber vocês. Infelizmente ... Meu pai está com outros chefes das famílias numa tensa reunião sobre os últimos acontecimentos. Creio que todos os comandantes, subcapitães e outros capitães serão recebidos por filhos ou sobrinho nas demais casas.
Donabre dá um chute no pé do irmão, que ainda está sentado no sofá sem saber o que fazer. Nisso, o outro “jovem rapaz” se levanta, sem imaginar onde enfiar a cara de vergonha por causa do comentário em voz alta que tinha feito há pouco. Calmo e sereno, o mais velho procura deixar o ambiente mais tranquilo.
- Não há problemas. Acredito que você deve ser Voren, a filha do Nobre dessa mansão. Lamento interromper seus estudos, mas precisamos checar cada búnquer de segurança que os nobres possuem. Foram ordens dadas pelo Dr. Drekin. Estamos em um estado de risco nível 5 de 5.
- Eu entendo toda a situação Capitão Donabre. Ninguém está conseguindo entender como um dos Quatro Magníficos foi sequestrado nesse planeta, sem que houvesse uma fissura no campo de força que fica além da atmosfera. É muito certo, dele ainda estar por aqui, sendo mantido em algum dos Estados.
A jovem faz um gesto com a mão para que os dois a sigam enquanto continua a ponderar sobre o rapto.
- É estranho que os detectores de posição e rastreadores do Dr. Credan não estejam indicando onde ele está. Na faculdade, alguns já temem pelo pior. Os mais otimistas especulam que, na melhor das hipóteses, os dispositivos possam ter sido retirados, com pressa e sem cuidados médicos, em algum tipo de cirurgia forçada em um ambiente não apropriado, como um galpão de equipamentos ferromagnéticos ou uma estação de subtransmissão de energia.
- Antes de chegarmos aqui, eu e meu irmão comentávamos que a base perdeu o sinal do Dr. Credan quando ele entrou nas usinas de biocompostos do setor leste. Ainda assim, mesmo que tenhamos esse registro de leitura do sinal de deslocamento dele, os dados só chegaram nos computadores com uma hora de atraso ... Isso indica que os sequestradores tiveram tempo suficiente para retirarem os rastreadores com tranquilidade, além de terem usado um retardador de tempo.
- Ah! NÃO! Isso é terrível! Você diz que eles lentificaram o tempo em volta do Dr. Credan, para que o sinal de localização viajasse com atraso pelo espaço?!
- Isso mesmo! Não foi, somente, um sequestro perfeito. Foi muito além disso ... Estamos cogitando a possibilidade do Dr. estar em qualquer lugar desse planeta. Uma vez que os bandidos podem ter um tipo de tecnologia que jamais deveriam ter conhecimento, o Magnífico pode estar sendo mantido dentro de uma casa nobre ou, até mesmo, em alguma galeria de esgoto modificada e remodelada para servir como base ... Por pior que pareça, eu reforço, novamente, que todo e qualquer lugar é passível de ter virado um esconderijo.
Então, os três chegam a uma colossal pintura que retrata todos os nobres daquela casa. Voren estala os dedos e, imediatamente, um drone lhe traz um guarda-chuvas. Após, ela caminha, recitando algumas palavras, até onde está a gigantesca imagem e atravessa a parede, que se transforma numa magnífica e exuberante queda d’água, por onde feixes de luz continuam projetando a foto de família.
- Vamos capitães ... É por aqui!
Oskator de Donabre olham um para o outro, surpresos. Então, estalam os dedos e mais dois drones surgem trazendo guarda-chuvas para eles. Os irmãos passam pela imagem e se deparam com um imenso e comprido corredor azul de paredes blindadas. Ao final, uma porta, tipo de um cofre, é o destino para onde os três seguem.
“Agora entendi ... Tudo azul ... Faz sentido ...”
De frente para uma pequena tela no canto direito da parede, Voren canta uma sequência de poemas. Com isso, o trio, simplesmente, aparece do outro lado da entrada, que se manteve fechada todo o tempo. Assim, finalmente, os capitães estão dentro do búnquer da Família Nobre Guaga, pela primeira vez na vida. Um local extremamente secreto, que se revela como um verdadeiro santuário biológico, com diversas cachoeiras e até mesmo um vulcão de lava branca ao fundo. Eles saem no alto de uma pequena torre, com uma escala circular que leva até o chão. Diversas plantações e animas são cuidados por drones. Além disso, há diversas casas que parecem habitadas, além de estábulos, moinhos e armazéns para estoque de grãos.
“Ferrou ...”
Oskator começa a pensar se todos os búnquer secretos das famílias nobres são como aquele ou maiores.
“Para checar esse lugar, vamos precisar de quase um dia inteiro. Se pudéssemos trazer os veículos com os equipamentos de detecção, seria mais rápido.”
Vendo a preocupação nos olhos do irmão, Donabre procura obter mais informações da jovem nobre.
- Senhorita Voren ... Você saberia dizer se os búnqueres das outras famílias são maiores que esse aqui?
- Capitães ... Eu entendo o motivo do espanto de vocês. Esses lugares são altamente sigilosos. Além dos membros da minha família e alguns outros poucos nobres, vocês são os primeiros a conhecerem esse local. Infelizmente, aqui é um dos menores búnqueres. Os das outras famílias são de 2 à 10 vezes maiores que esse.
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