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Tomás Renguri: O Cavaleiro Do Corcel Decapitado - Capítulo 17 (T1) | Light Novel Universo

  • Foto do escritor: Light Novel Universo
    Light Novel Universo
  • 19 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 29 de mar.

Capa da Light Novel Tomás Renguri: O Cavaleiro Do Corcel Decapitado - Capítulo 17 - Temporada 1


CAP 17 | O Cavaleiro Do Corcel Decapitado



O mundo para onde o jovem Tomás foi invocado é um lugar marcado por uma guerra milenar entre dois poderosos reis: Rei Grifo e Rei Palhaço.


Nesse ambiente, cada lado possui um grupamento de guerreiros habilidosos e altamente treinados. A polarização entre os habitantes sobre domínio de cada reinado é bem acirrada. Nesse contexto, aqueles que vivem nas terras dominadas pelo Rei Palhaço classificam os aventureiros e guerreiros ligados a esse monarca como heróis da luz e da justiça. Pelo fato de o Rei Grifo ser um monstro humanoide, muitos o interpretam como um grande mal encarnado. Apesar disso, sempre existiram humanos leais e fiéis ao monarca bestial. Nesse mundo de guerras e disputas, nasceram as irmãs Sassandra Valdernomuntis e Ciça Valdernomuntis.


Filhas de uma importante família das terras ao norte do Continente do Fogo, Sassandra herdou os cabelos escarlates da linhagem, enquanto Ciça foi amaldiçoada antes do nascimento por uma sacerdotisa do Rei Grifo. Por causa do castigo, ela nasceu com cabelos verdes, num tom característico dos sádicos loucos ligados ao Rei Palhaço. O castigo ocorreu por causa da fuga de diversas tropas da família Valdernomuntis do campo de batalha durante uma campanha travada pelo Grifo Rubi (ligado ao Rei Grifo) contra os Tigres de Fogo (adeptos do Rei Palhaço).


Arrependido pelo que fez, o patriarca da família Valdernomuntis implorou ao Grifo Rubi por uma chance de limpar a falta que cometeu e ter sua filha abençoada. O comandante do Rei Grifo, ao tomar ciência do ocorrido, destituiu a Sacerdotisa Rubi do posto e transferiu os poderes mágicos dessa para a jovem menina ruiva Sassandra. Como punição por ter lançado a maldição, a Antiga Sacerdotisa Rubi foi enviada para servir como tutora e mentora da pequena princesa Ciça.


O que ninguém poderia esperar é que tudo fazia parte do plano da mulher corrompida pela loucura do Rei Palhaço. A Antiga Sacerdotisa Rubi foi uma mestra impecável para a princesa, mas treinou a jovem para muito além de uma guerreira. Ela transformou Ciça num monstro de combate. Entretanto, todo o potencial de luta da aprendiz estava limitado pelos laços de sangue com a família Valdernomuntis e pela racionalidade impecável dessa linhagem.


Assim, em um belo dia, a Antiga Sacerdotisa Rubi atraiu Ciça para os pântanos da loucura. Lá, torturou a jovem até que a princesa perdesse a sanidade, num ambiente de atmosfera alucinógena. Ao final do processo, mestre e pupila estavam esgotadas com as duas perdendo muito. A Antiga Sacerdotisa Rubi deu adeus a própria vida, pois não resistiu aos gases tóxicos da região. Já Ciça ... Ela perdeu os cabelos vermelhos, os quais retornaram ao tom verde lunático.


O tempo passou e muitos procuraram pela jovem. Sassandra, após 20 anos, reencontrou a irmã no campo de batalha, agora como a Princesa Lunática e membro de elite das tropas do Rei Palhaço que tentam o domínio completo no continente de fogo. Entretanto, Sassandra não sabia que isso seria o começo de uma caçada sem fim, na qual a jovem ruiva seria o alvo.


Após a morte de Sassandra, Ciça fica mais poderosa, pois os laços de sangue que a unem com a família Valdernomuntis ficam mais enfraquecidos.


Então, na tenda onde o corpo de Sassandra estava, Ciça se aproxima mais uma vez da própria espada.


- Você lembra Ciça ... Lembra ...


Longe do local onde a Princesa Lunática enlouquece ainda mais, em um campo de batalha a céu aberto e completamente destruído, o Cavaleiro dos Corcéis Negros Sem Cabeça está alongando os braços.


- Que lutinha meia boca ... O Rei Palhaço deve estar balzaquiano e não tá sabendo escolher os soldados que manda pra luta! Que bando de pererecas saltitantes fracas que ele mandou para cá!

 

Ele, então, continua a equipar o Corcel Negro Sem Cabeça das Trevas para seguir viagem. Após uma intensa batalha, as tropas do Rei Grifo saíram vitoriosas, mas o cavaleiro se sente estranho. Ele se questiona sobre um peso profundo na alma que sentiu há alguns dias.


“Nove Mortes e Sassandra ... A magia profana que senti veio, mais ou menos, do local onde vocês estão. Logo estarei aí para dar um oi a vocês amigos! Espero que não estejam com problemas”.


Após pegar um pouco de grama para o cavalo, ele se vira. Ao olhar para animal, o ser mítico só abaixa o pescoço, como que dissesse: sério isso pela enésima vez. O cavaleiro, então, joga o capim para trás.


- Qual é bichão? Ah! Você sabe que sempre esqueço.


Olhando para o alto, ele se perde em lembranças, num tempo que tinha 12 anos. Então, nas memórias do rapaz, uma linda mulher começa a rir e diz que o jovem não tomava jeito mesmo. Ela, com calma, entrega algumas bolas mágicas.


- Tome ... Dê isso para ele! Ele não tem cabeça, mas não quer dizer que não sinta fome.


O garoto, então, cora de vergonha. Num gesto gracioso, leve e suave, a mulher passa a mão sobre a testa. Após isso, dois imensos chifres vermelhos surgem nela.


- Rodrigo, faz um ano que você está aqui, mas parece que não se habituou ainda.


Ele passa a mão no pelo do animal antes de alimentar o Corcel Negro das Trevas sem Cabeça.


- Habituar? Nós temos tempo pra isso? Com aquela louca caçando a gente para cima e pra baixo. Diz para mim! Vocês têm alguma rixa pessoal.


Sassandra termina de recolher algumas ervas no chão.


- Falar a verdade ... Ela é minha irmã. Entretanto, Ciça não era assim. Tudo começou após ela ir em um pântano perto das terras do Rei Palhaço. 


Longe do local onde Rodrigo, o Cavaleiro dos Corcéis Negros sem Cabeça, está perdido em lembranças, numa caverna com paredes de ouro, um velho orc anda até um caldeirão. Segurando um cajado que brilha cada vez mais intenso, ele vê a água borbulhar e emitir uma luz laranja. Então, ele exclama com todas as forças que um velho pulmão pode ter.


- UMA MAGIA PROFANA FOI CRIADA!


A fumaça da água forma letras no ar. Imediatamente ele lê a frase: Queimar da Morte.


- Nãooo ... Isso é impossível ...


Uma caveira de fogo sai rindo da água fervente. Ela voa pelo local e gargalha cada vez mais alto. Aquilo circula o velho, mas o ancião bate o cajado no chão e congela o intruso em pleno ar. Um coelho de olhos negros se aproxima do orc, o qual se abaixa com dificuldade. O animal tem uma grande cicatriz no olho e várias marcas de ferimentos de luta pelo corpo. O mago passa a mão pela cabeça do monstro.


- Você viu velho amigo. Precisarei que você leve uma mensagem até aquele homem. Não pare por nada. Nem por ninguém. Torço estar aqui na sua volta, amiguinho!


O coelho dá uma cabeça fraquinha no pé do mago, enquanto uma lágrima escorre do olho bom! 


- Não se preocupe amiguinho ... Mesmo se eu não voltar, aquele homem irá cuidar bem de você.


Numa estrada o corcel negro sem cabeça corre a toda velocidade, deixando um rastro de fuligem, enquanto o Rodriga grita em puro animo para os quatro ventos escutarem.


- Mais rápido tartaruguinha! Vamos! Mais rápido!


Ele balança as rédeas, que não estão presas em nada, mas flutuavam perto de onde seria a boca do ser. Então, do lado dele, uma carruagem com duas moças surge flutuando. Elas gritam, parecendo terem escutado a algazarra do jovem.


- CORRE! CORRE NOBRE CAVALEIRO!


Então, umas delas coloca o rosto para fora.


- Apresse-se em chegar até Nilfes. Algo terrível se forma naquela região.


Ele olha e procura os cavalos que movem aquele veículo, que surgiu do nada. Entretanto, a carruagem é movida só por fumaça.



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