Sufi Kalre: Disfarces e Suposições - Capítulo 19 (T1) | Light Novel Universo
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- 22 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 1 de mar.

CAP 19 | Disfarces e Suposições
Na base dos mercenários, dentro do quarto alojamento de Dinte, a jovem está preparando as malas. Apesar do jeito agitado e oscilações emocionais da mulher, o lugar é, na medida do possível, organizado e arrumado como um quarto de uma adolescente nerd. Tudo tem um espaço e cantinho delimitado. Até as barras de chocolate no armário são organizadas por cor e tamanho. Há, numa prateleira da parede onde fica a porta de entrada, um conjunto de plantas de plásticos dispostas por ordem de tamanho das folhas. Quadros são planejados para combinarem com toda a decoração local. Kintra entra e deixa os sapatos na entrada. Sobre a cama da chefe dela, várias blusas e calças estão posicionadas de forma, impecavelmente, alinhadas.
- Chefe ... Essa base é temporária ... Porque você perde tempo ajeitando esse quarto. Toda vez que entro aqui, tem um detalhezinho novo. O que são essas plantas de plástico?
- Não é porque estamos dentro de uma estrutura colossal de ferro enferrujado e titânio que eu tenho que me comportar como uma sardinha morta e seca. Mexer na decoração desse quarto me ajuda a botar as ideias em ordens. Você acha que eu não teria surtado, há alguns meses, se eu só ficasse lendo dados e números de escaneamentos quânticos magnéticos. Além disso, já terminei de escolher as roupas que irei usar lá no Estado Aquático. Tem um conjunto de nove combinações diferentes para cada dia da semana.
- Lembrando que vamos ter de comprar roupas por lá também, pra disfarçar que estamos aproveitando o local.
- Eu sei! Eu sei! Só que ... Vai que eu não ache nada que eu goste e tenha de comprar só pra manter as aparências. Eu me recuso a andar feia e malvestida naquele lugar de classe alta.
- Ah! Lógico! É o sangue de Gârdhera falando mais alto ... Vocês e essa necessidade extrema de andarem sempre muito bem arrumados, como se fossem uma vitrine ambulante. Chefe ... Você vai levar aquele estojo de maquiagens que levou da outra vez, não?! Vai? Tem um monte de cosméticos e outras coisas por lá! Eu tô vendo que iremos morrer uma grana só por excesso de bagagem ...
- Eu nasci e fui criada em Gârdhera ... É lógico que vou gostar de me arrumar até a ponta da alma! Eu não entendo vocês de Sápotas! Tem gente aqui que se veste tão pobrezinho, mesmo tendo rios de dinheiro. Ah! Esqueci! É só pra aparentar uma falsa humildade.
- Chefe ... Estamos tendo sorte de fazermos trabalho de campo no Estado Aquático.
Kintra calcula, com cuidado, onde vai pisar, para não despertar um estado de fúria na chefe. Se posicionando devagar na cama, ela se senta e continua a falar.
- Sápotas é um lugar podre. Muita gente fala mal de Gârdhera, mas a nação de Sápotas consegue ser infinitamente mais desprezível. Existem diversas linhas de teorias que sugerem que foi aqui que as rupturas temporo magnéticas, conhecidas como Derivas Geográficas, começaram.
- Ah! Bobagem Kintra! O pessoal diz isso pra elevar o status de “maldade” e “periculosidade” do povo aqui. Não tem como alguém ou um conjunto de seres ter sido o responsável pelo evento que bagunçou o mundo todo. Em teoria, você nasceu no passado e eu no futuro. Apesar disso, nesse presente, estamos as duas fazendo as malas para um trabalho em conjunto. Quer loucura maior que essa. Gârdhera é uma região que acho nunca ter existido na linha temporal onde a nação de Sápotas surgiu. Você acha que pequenos organismos, como nós, conseguiríamos criar um evento desproporcional a ponto de colapsar a própria realidade? Isso aconteceu por algum motivo e a gente que se adeque as novas leis da física. Falar nisso, você já colocou todo o equipamento nas bolsas? Conferiu os sensores de camuflagem? Verificou as malas de dinheiro?
- Já chefe! Só me impressiona essa sua tranquilidade em aceitação das coisas. Você nunca teve a curiosidade de saber se as Derivas Geográficas foram o resultado de um experimento que falhou?
- Não ... Porque acabei de te explicar ... Não tem como ter sido um experimento que deu errado. Eu tenho certeza de que foi um evento que aconteceu porque iria acontecer ... Com um terremoto, furação ou tempestade. Os organismos só não estavam preparados para aquilo. Com a bagunça que virou o tempo, a gravidade e o espaço é que os cientistas foram aprendendo e descobrindo coisas novas. Eu tenho certeza de que, em algum lugar, tem gente fazendo merda com os novos conhecimentos.
- Você acha que ...
- Eu não acho ... Eu tenho certeza de que tem coisa muita séria rolando naquelas áreas inacessíveis do Estado Aquático. Eu tenho certeza de que o povo de Sápotas não é isso tudo de vilania como eles mesmo se pintam, mas não sou ingênua de acreditar que são um bando de seres altruístas e bondosos. Sabe-se lá que tipo de experimentos bizarros não estão fazendo no fundo do mar, bem próximo a regiões onde há fissuras de deriva bem ativas.
- Eu imagino que vamos ter problema se entrarmos nesses locais. Melhor ... Tenho certeza.
- Sápotas construí aquilo lá com um projeto para várias finalidades. Eles mantêm pessoas que estudam e se decidam a construírem coisas para os outros, construíram uma rede de usinas nucleares que alimentam cidades da costa, tinham um robô sonar que monitorava as oscilações da Deriva Geográfica e devem ter laboratórios de experimentos com organismos. Se tudo der merda, eles isolam aquele lugar e preservam o povo da superfície.
- E você ainda acha que eles não são cruéis?
- Ainda não ... Deixa a gente descobrir que tipo de experimento esse povo tá fazendo lá embaixo que eu modifico, ou não, minha classificação sobre eles. Eu acho que eles são da mesma laia que o povo de Gârdhera ... Ninguém presta, mas não são tão perigosos quanto.
- Chefe ... Isso é ruim ou positivo?
Terminando de colocar as calças na mala, Dinte sorri na direção de Kintra.
- Se você for jogado numa jaula com leões ou tigres, importa a profundidade da mordida? É isso que quero dizer. Eles vão fazer as mesmas barbaridades e canalhices. Sápotas só se pinta de mais cruel para amedrontar os outros. Só isso!
Enquanto isso, Pacrierra caminha pelos corredores do laboratório de pesquisa.
“Esse lugar mudou um pouco, desde a última vez que estive aqui. Corredores estão com mais sensores de movimento. Além disso, estou percebendo muito mais detectores de segurança.”
- Robô! Diga-me ... Houve alguma tentativa de fuga dos Pimpers ao longo do tempo que eu não vim aqui pra baixo?
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