Renguri: Lembrando Da Dor - Capítulo 16 (T1) | Light Novel Universo
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- 19 de fev.
- 4 min de leitura

CAP 16 | Lembrando Da Dor
De repente, a guerreira mascarada interrompe a discussão dos animados aventureiros.
- Vocês já ouviram falar dos nove lendários grifos que ajudaram na luta contra o Rei Palhaço?
Alguns dos mais antigos, ali presentes, olham para ela e exibem uma mistura de surpresa com incredulidade.
- Sim ... Claro! Pode ser que muitos dos jovens não a conheçam, pois tem histórias antigas que viram lendas, depois mitos e, finalmente, caem no abismo imensurável do inalcançável esquecimento para a grande maioria ... Ainda assim, geralmente, cabe aos mais antigos preservarem aquelas informações que não devem ser deixadas de lado.
Um rapaz mais novo, com uma armadura verde e detalhes que fazem alusões a ursos, fica um pouco incomodado com a pergunta da viajante aventureira.
- O que isso tem a ver com a dungeon que estamos prestes a explorar?
Exibindo um olhar sério, tenso e amarguradamente preocupado, a guerreira mascarada olha na direção dos companheiros de missão.
- Estive pensando ... Pode ser que a lenda seja mais do que apenas uma história. Talvez, a dungeon que estamos prestes a explorar seja o lar do imenso Grifo de Diamante que ajudou na Primeira Grande Luta contra o Rei Palhaço.
Os outros aventureiros ficam em silêncio e consideram fortemente a possibilidade. Finalmente, o mago que acompanha o grupo resolve intervir.
- Se isso for verdade, podemos encontrar o fantasma desse monstro ainda por lá. Temos que ter cuidado.
Apesar de todos estarem com receio, é muito tarde para qualquer um deles voltar atrás. A grande verdade é que o ego e o orgulho são os combustíveis que alimentam aqueles guerreiros. O grupo, então, entra com cautela na dungeon. Todos estão conscientes de que podem enfrentar, além de monstros extremamente perigosos, lendas antigas e poderosas. A guerreira mascarada é a mais preocupada.
“Acho que ... O nosso problema não será o Samurai das Nove Mortes. Eu estou com um péssimo pressentimento.”
Ela volta a olhar para trás e pensa em largar aquela missão. A sensação de que deve agir aumenta no peito dela e parece lhe queimar os pés. Então, uma voz surge ao longe. Uma aventureira está correndo, atrasada, para se juntar ao grupo. Com ela surgem mais novatos.
“Não ... Quem deixou os iniciados virem nessa expedição ... Eu tenho certeza de que Talia jamais permitiria essa irresponsabilidade ... Isso é loucura!”
Longe da Dangeum Número 8, o Fênix do Meio-Dia e a heroína de cabelos verdes, Ciça, já concluíram o ritual mágico para transformar o corpo da Sacerdotisa Sassandra em uma marionete zumbificada que pode ser controlada pelo herói. Ciça, limpando e polindo a espada dela, canta e sacode a cabeça de um lado para o outro. Estando o local vazio, ela fala sozinha e exibe traços da fragmentação psíquica, além da loucura, que ela apresenta. Com ela mesma, a Princesa Lunática dialoga em voz alta.
- Você lembra Ciça ... Lembra de como foi lindo. Cada segundo! Cada segundinho! Aaaaah!
Ciça continua perguntando a ela mesma, como um disco quebrado que repete o trecho da mesma música. Enquanto isso, ela se lembra do momento em específico. Nas memórias de Ciça, ela recorda-se do ritual para o “Queimar das Almas”.
- Você lembra Ciça ... Lembra! Lembra! Lembra!
No dia, o ambiente estava silencioso, exceto pelos murmúrios do feitiço sendo conjurado. A Sacerdotisa Sassandra, que antes estava imóvel, começou a se contorcer em convulsões enquanto o poder mágico envolvia o corpo da jovem. Ciça fez um gesto com a mão e um vento mágico soprou dentro da tenda, aumentando a intensidade do ritual. As cinzas do cifre da sacerdotisa e as cinzas produzidas pela armadura do Fênix do Meio-Dia se misturaram em pleno ar. Então, elas formaram um pássaro negro: uma Fênix Negra de fumaça e fuligem. Finalmente, as convulsões cessaram e a sacerdotisa, que antes flutuava, desceu ... Os pés dela tocaram o chão. O momento era tenso, nefasto, repugnante e vil. Curvada, não conseguindo erguer-se completamente, o corpo de Sassandra começou a andar lentamente. Os olhos dela emanavam um brilho vazio e a pele estava pálida como a neve. Correntes de fogo começaram a surgir de dentro do corpo da mulher, sendo formadas a partir do que antes eram os músculos dela. Surgiam e voltavam para dentro dela, perfurando a carne, num ciclo sem dó ou piedade. Entretanto, “aquilo que caminhava” não gritava ou chorava. Ciça, segurando um grimório nas mãos, estava em pé ao lado do Fênix do Meio-Dia. Ela estava silenciosa, mas o sorriso era quase que uma bomba a explodir no rosto da mulher.
- Lembra! Lembra! Ciça ... Você lembra ...
Então, no tempo presente, ela vê o próprio sorriso lunático e doentio refletido na bainha da espada.
- Você lembra? Você lembra Ciça.
Ela arregala os olhos com felicidade enquanto se aproxima mais ainda da arma.
- Foi lindo!
Ela grita enquanto crava a lâmina no próprio pé.
- FOI LINDO!
Ela grita de novo enquanto recolhe, com a mão, o sangue do ferimento, para o lamber em seguida.
- FOIIIIIIII LINDOOOOOOO!
Entretanto, muitos que lutam ao lado de Ciça desconhecem que a Princesa Lunática era irmã da Sacerdotisa Rubi Sassandra. A ruptura entre elas aconteceu há muito tempo.
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