Rebeca Vilper: Peregrino Solitário - Capítulo 15 (T1) | Light Novel Universo
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- 23 de fev.
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Atualizado: há 2 dias

CAP 15 | Peregrino Solitário
No outro extremo do continente, um pequeno barquinho navega por um rio calmo e tranquilo. O condutor da embarcação é um homem moreno, usa cavanhaque e tem um cabelo curto arrepiado para cima. Ela usa uma veste tipo quimono na cor lilás com azul e está com um grande chapéu cônico feitos com folhas de palmeira e bambu para o proteger do Sol.
- Essas águas tão claras e limpas ... Está chegando o momento em que a lenda irá ressurgir para devorar 99,99% da vida desse planeta. Eu já estou cansado de me esconder. Será que esse é um padrão normal para alguém que vive por muitas e muitas eras.
Ele rema devagar.
- Primeiro ... Você luta até cansar e desiste. Depois ... Fica cansado de tanto se esconder e começa a pensar em lutar novamente. Eu já repeti esse ciclo umas três vezes ... Em qual momento da minha singela existência estou chegando agora ...
Ele, então, olha algumas crianças brincando na margem do rio.
- Eu deixei vários e vários escritos ... Anotações ... Informações ... Tudo que eu fique sabendo sobre esse monstro e as criaturas que ela coaptou para a servirem. Criei organizações, grupos e armadas. O que está sobrando para mim nesse momento da vida.
Ao olhar o reflexo na água, ele toca, suavemente, a própria face.
- Já mudei tantas vezes de rosto que não me lembro mais de como eu era no dia que cheguei nesse planeta. Faz bastante tempo. Esse lugar parecei ser uma nova casa no início, mas virou minha prisão sem fim.
Alguns pássaros voam em volta dele e fazem o homem parar de navegar.
- Tudo ... A Sombra Devoradora come tudo que tem vida. Ela só poupa bem pouco para não morrer de fome depois. É um ser nefasto. Como que uma princesa pode se transformar num monstro desse tipo. Eu gostaria de a libertar desse sofrimento, mas receio já está ficando sem forças e ânimo para brigar contra ela mais uma vez.
Ao esticar o braço, ele se alegra em ver que os pássaros pousarão docilmente sobre o “galho” improvisado.
- Esse é o continente do Orc Cinza. Eu vim para cá por ser o mais distante da Sombra Devoradora. Ainda assim, anima-me, em algumas noites gélidas e solitárias, a ideia de pegar um grande barco e navegar para além desse mar. Será que eu encontraria um novo local para aportar? Será que a Sombra Devoradora não conseguiria chegar nesse lugar?
Próximo a região onde o navegante reflete, um velho mago de cajado caminha por uma estrada de terra batida que leva até os portões de uma cidade desenvolvida. Os telhados são todos de telha colonial estilo Japão feudal. Eles possuem um tom de verde igual ao encontrado nas pedras de jade daquele planeta. O mago possui uma máscara dourada que faz alusão a um crânio.
- Ela está ali ... A cidade do Norte. Ao que tudo indica, viram o antigo guerreiro nessa região. Como será que meu antigo mestre e amigo de espadas está?! Será que ele irá começar uma nova investida contra aquele monstro? Será bom beber um pouco de chá com ele antes das coisas começarem a ficar tumultuadas como antes.
O mago segue andando e ele puxa de uma perna. No peito um colar exibe um medalhão com o rosto de um dragão dourado e olhos de rubi vermelhos. Após algum tempo, ele chega nos porões da cidade. Quando um guarda vai abordá-lo os outros correm para impedir o jovem.
- Você está louco! Só abra o portão! Não viu o medalhão no peito dele! Ele é um mago ancestral muito poderoso. Pode ser até o chefe de toda a ordem. Eles são peregrinos e vão de cidade em cidade conferindo se o povo está bem.
- Eu não sabia que eles são assim ... Todos usam essas máscaras?
Então um soldado no alto do muro grita.
- ABRAM O PORTÃO!
O jovem guarda fica perplexo. Ele se vira para o amigo que o segurou pelo braço.
- Como vocês irão permitir ele entrar assim! É só alguém colocar uma máscara de caveira e tudo bem?
- Seu idiota! Você é um filho deserdado de algum desses nobres que só comem o dinheiro do povo e não sabem do que acontecem ao redor e no mundo? O medalhão seu imbecil! Quem o usa virá um tipo de zumbi especial por livre e espontânea vontade. Eles não têm fome, não sentem dor e estão totalmente desapegados a tudo que é material nesse mundo. Quem usa o medalhão por vontade, se transforma em dias. Faz parte do rito de egresso deles.
- Isso é lenda! Eu escutei isso quando era criança. Eu nunca vi um deles por aqui.
- Eles só vão nas áreas mais pobres. Você tem quantos anos? É um deserdado? Não é?
- Isso não vem ao caso. Só preciso fazer meu trabalho aqui nessa guarda.
O jovem se solta do colega que ainda o segurava e olha o homem fixamente nos olhos.
- Muito obrigado por ter evitado que eu fizesse a besteira de abordar, de forma rude, um ser tão especial assim.
Os guardas veem o mago passando e ficam espantados pela grande quantidade de energia que ele emana. Até as flores do local parecem ganhar mais vida e ânimo por onde ele passa. Então, um dos soldados nota esse pequeno detalhe.
- Deve ser o chefe da ordem ... Não são todos os Magos Brancos Zumbis que possuem esse tipo de habilidade. Certamente, ele está vindo falar com o senhor das terras e o governador. Vamos torcer para não estar acontecendo nenhum tipo de rebelião em terras próximas.
Nisso, o soldado mais jovem lança um olhar para o chão.
- Já estamos com perdas demais em pequenas brigas dentro desse AT ... Não precisamos de mais conflitos externos.
- Se for o chefe da ordem, vamos torcer que o Mago Branco Zumbi esteja trazendo boas notícias.
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