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Giovana Fergrane: Dúvidas Estranhas - Capítulo 16 (T1) | Light Novel Universo

Atualizado: há 3 dias

Capa da Light Novel Giovana Fergrane: Dúvidas Estranhas - Capítulo 16 - Temporada 1


CAP 16 | Dúvidas Estranhas



No Reino das Chuvas Negras, Roldi caminha pelo pátio após mais um dia de treino. O jovem está exausto. Ele segura o ombro e sente cada centímetro dos ossos dele doendo. Para não preocupar os amigos, ele procurou se afastar para pegar um pouco de fôlego, mas sabe que, logo em breve, precisará retornar à sala de armas para os treinos com espadas longas e curtas.


- Os instrutores estão pegando mais do que pesado hoje. A Melissa está amando a intensidade das lutas. Cada dia que passa eu a admiro pela determinação e fibra que ela está demonstrando. Acredito que seja o fato da irmã dela estar internada que a motiva. Puxa ... Eu não tenho um motivo tão nobre assim. Minha família tem recursos, saúde, prestígio ... Eu nem sei como fui invocado pra cá. A questão de um Lorde Demônio emergindo para destruir tudo, não desperta em mim um calor real de ação.


Estalando o pescoço ele interrompe um pouco os próprios pensamentos.


- Aí! Aí! Aí! Eu tô bem quebrado ... Vou precisar passar uns quilos daquela pomada pra dor que eles dão na enfermaria. Gente! Que eu tô fazendo nesse mundo.


Deitando-se sobre um bando, Roldi desaba. Ele fecha os olhos e torce para acordar rápido após um breve cochilo.


- Estamos nesse ritmo todo acelerado por conta de algo surreal que aconteceu a todos nós ... Afinal ... Eu nunca tinha sido invocado para uma terra mágica e me colocaram um título tão legal: o de herói! Ainda assim, quando penso na história toda ... Tudo não passa de algo que contaram para gente. Eu não vi esse outro Reino, o do Nono Magma Laranja, eu não tenho prova nenhuma de que um Rei Demônio irá surgir e não temos muito como comprovar o caráter do Governador Mago, pois só estivemos com ele algumas poucas vezes. Os instrutores são legais e parecem serem sinceros, mas eles não são extensões do corpo do mago. O cara pode ser, muito bem, um tremendo bandidão enganando essa gente.


Virando de lado, ele começa a ver uma borboleta voando perto dos olhos dele.


- Então Pequetita ... Se você estivesse no meu lugar, o que faria?


Uma voz, inesperada surge ao mesmo tempo que um cajado bate no chão.


- Buscaria respostas. Caminhar na escuridão flertando com a borda de um abismo me parece uma aventura tanto perigosa, Roldi.


O jovem se assusta ao ver a presença do híbrido coelho ali do lado dele. O ser, simplesmente, parecer ter brotado do nada.


- Tuket! Digo ... Senhor Tuket! Eu ... Nossa! Essa minha boca grande. Eu devo aprender a guardar meus pensamentos só para mim. Não quero desmotivar meus amigos. Ou ... Pior! Não quero que eles achem que estou criando desculpas para fugir dos treinos.


Não é ruim você duvidar. Qualquer pessoa que pense com calma poderia seguir por esse caminho que você está trilhando: o da desconfiança. Ainda assim, você não pode andar com um pé na estrada e outro no teto ao mesmo tempo. A dúvida te paralisa, você querendo ou não.


- Você não sente medo ao se mover. Você contou que não enxerga ... Desculpa ... Isso é bem nítido! Foi a primeira coisa que percebemos quando te conhecemos.


- Medo? Eu não o preciso sentir, pois já estou mergulhado nele. O fato de não ver nada à minha frente me deixa em estado de alerta constante. O que você deveria perguntar é: como eu me posiciono diante do inevitável? Paro e espero as coisas acontecerem ou tento fazer algo. Eu lido com essa dualidade a cada segundo. Se penso em dar um passo, preocupo-me de haver um buraco logo em seguida. Posso evitar dar o passo ou tatear com meu cajado para verificar.


- Verificar não é sinônimo de que o medo já venceu? A coragem não seria ir com medo mesmo?


- Roldi ... Eu não sei como é a cultura no seu mundo, mas o que você descreveu é um exemplo de imprudência. Como eu disse, já vivo no medo permanente. Tudo a minha frente é escuridão. Você consegue entender isso? Não tenho escolha de sentir ou não o medo ... Ele sempre está presente por causa da ausência dos meus olhos. No seu caso, ele está presente pela ausência de confirmações que você necessita. Ainda assim, você pode tomar decisões, mesmo que as respostas não surjam.


Roldi, tão imersivo naquelas reflexões, percebe que ainda está deitado. Então, ele acaba ficando sem jeito e cai no chão. Ele se levanta todo sem graça e não sabe o que dizer. Tuket estava ali, sentado e tendo uma conversa de alto nível, mas o jovem não teve a mínima decência de se levantar do banco. Ao olhar novamente na direção do velho ser, Tuket é mais rápido.


- Hora de voltar ao treino, não acha, meu amigo?


- Sim! Lógico! Agora mesmo.


O jovem segue em direção a sala de armas enquanto o ser continua sentado. Após algum tempo, quando Roldi já não está mais por perto, Tuket sussurra algo.


- Faz uns anos que não te “vejo” nesse castelo, Lás! Estava na mente dele?


Então, uma mulher do tamanho de um inseto se revela. Ela surge por detrás de uma pedra que está no chão. Com um estalar de dedos, ela aumenta de tamanho e se senta sobre o banco que Roldi cochilava. Longos cabelos ondulados de cor cinza com mesclas verdes, ela apresenta escritas mágicas pelo rosto e corpo, não vestindo nenhum tipo de roupa.


- Você sabe que é o único com o qual eu converso, algumas vezes, após algumas décadas. Não achou que estava no momento de nos encontramos?


- Não ... Certamente, você está torturando esses jovens nos sonhos deles. Tenho percebido a Melissa um pouco violenta. Achei que fosse por conta dos treinos, mas agora já tenho a resposta. O Governador Mago te expulsou desse local. Lembre-se de não dar as caras por aqui.


Tuket se levanta com certa dificuldade, usando o cajado como apoio.


- Para deixar bem claro ... Fique longe dos heróis! Eles precisam deter o Rei Demônio, antes que esse surja. Você lembra o inferno que tudo isso aqui virou por conta das Guerras Astrais. No passado, nossas previsões alertavam para uma catástrofe de proporções descomunais e ninguém se preparou para aqueles monstros. Não iremos repetir o mesmo erro. Deixo-os, todos esses jovens, em paz. Eles precisam vencer o torneio.


Enquanto Tuket se afasta, a mulher ajeita os longos cabelos que escorrem pelo corpo.


- Ora! Ora! Aff ... Como se eu não quisesse ajudar também!



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